O GERMINAL, n°46 – Demissão de terceirizados, corte orçamentário e 28 de Março

por Organização Estudantil CCI – Combativa, Classista e Independente da UnB (filiada à RECC/FOB)

Ano XI, Edição nº 46 – 26 de março de 2018   [BAIXE EM PDF]

CONSTRUIR A GREVE GERAL NA EDUCAÇÃO!

Barrar as demissões e o ataque aos direitos!

Os cortes de diretos e de orçamento recentes do governo Michel Temer (MDB) vem atingindo primeiramente aqueles mais precarizados. Em nossa universidade vemos centenas de trabalhadoras/res terceirizadas/os, em sua maioria negras/os, serem demitidas, assediadas e desrespeitadas. A Reitoria de “esquerda” vem servindo de capacho do governo cortando na carne dos mais fracos, jogando na fila do desemprego muitas famílias. Defendem não só o governo como também o lucro das empresas terceirizadas ao se recusar a fazer uma auditoria seria dos contratos e ao serem coniventes com as demissões em massa. Além disso, devemos ressaltar a tentativa de aumento exorbitante dos preços do Restaurante Universitário, servindo mais uma vez aos interesses de lucro da empresa e contra os estudantes e a comunidade universitária.

Existe a vários anos uma resistência por parte dos estudantes contra essas ações racistas e elitistas da anterior e da atual Reitoria, contando com abaixo assinados, atos e ocupações. Porém ainda não fomos capazes de construir um espaço que acumule a experiência de nossas lutas e aglutine toda comunidade acadêmica na defesa dos direitos dos trabalhadores e estudantes. Devemos erguer um comitê autônomo de mobilização, juntando os já envolvidos na luta e os dispersos (independente se é terceirizado, estudante, técnico ou professor) aumentando a força de mobilização e propaganda através da consolidação de um órgão de luta horizontal disposto a combater a calamitosa situação da UnB.

Independente da gestão na Reitoria, seja ela de “esquerda” ou direita, atenderão somente os interesses do governo, não sejamos tolos. Essa gente só nos entende quando coletivamente invadimos suas salas e gabinetes, quando através da ação direta combativa denunciamos a situação de nossos irmãos e irmãs e exigimos uma resposta.

Devemos cobrir de solidariedade aqueles que mantém o funcionamento de todos os campus da UnB! Marchar por eles e ao lado deles construindo as lutas de forma que um apoie o outro. Não haverá demissões, não deixaremos! Todo nosso apoio aos terceirizados e sua luta justa!

Paralisação e marcha de terceirizados da UnB, contra as demissões. (26/03/2018)

COMBATER O NEOLIBERALISMO E A ESQUERDA REFORMISTA: UMA SÓ TAREFA!

Em um período onde os maiores ataques à Educação estão sendo realizados pelo governo Michel Temer (MDB), a suposta gestão de “esquerda” do DCE (PT, UJS, PSB, PSOL) nada vem fazendo para mobilizar os estudantes. No último ato em apoio aos terceirizados (22/03) não houve participação do DCE. No último período o DCE não realizou nenhuma mobilização para construção de assembleias estudantis, muito menos de atos locais ou nacionais (que vêm acontecendo regularmente em Brasília/esplanada).

Nosso diagnóstico de que uma aliança eleitoreira da “esquerda” (PT, PSOL, PSB, UJS, etc.) para vencer a direita não levaria a uma verdadeira reorganização do movimento estudantil da UnB, por se tratar de uma aliança de cúpulas sem projeto de organização de base. Agora que a “esquerda” está no DCE os estudantes continuam desmobilizados e sendo empurrados para a despolitização.

Além disso, as correntes que compõe o atual DCE devem ser responsabilizadas também pelo apoio à candidatura da reitora Marcia Abrahão que hoje é corresponsável pela demissão e perseguição a centenas de trabalhadores terceirizados. A inexistência do DCE da UnB para qualquer luta real apenas revela sua submissão à burocracia universitária e partidária.

Frente aos inúmeros ataques aos estudantes, à educação e aos trabalhadores é necessário construir uma Greve Geral na UnB, paralisar as aulas e ocupar as ruas. Este é o primeiro passo para a reorganização do Movimento Estudantil Combativo da UnB. Neste momento, nós da CCI acreditamos que essas são as tarefas de qualquer estudante do povo que queira mudar essa situação:

a) Construir assembleias e paralisações por curso! Levantar as pautas reivindicativas próprias e em solidariedade a greve dos terceirizados (como foi feito no curso de Ciências Sociais);

b) Organizar uma Assembleia Geral dos Estudantes da UnB, visando discutir os ataques à educação, o apoio a greve dos terceirizados e a Greve Estudantil rumo à Greve Geral;

c) Construir um Comitê Autônomo de Mobilização, como um organismo de luta permanente e independente do DCE e da Reitoria, visando a construção da luta pela base (e não de cúpula) por uma Universidade Popular a serviço dos trabalhadores.

28 de Março: Dia Nacional de Luta dos Estudantes!

Edson Luís, martirizado a 50 anos atrás pelo sanguinário Estado brasileiro sob o comando direto das Forças Armadas, foi o primeiro a tombar (no dia 28 de março de 1968) frente a Ditadura civil-militar. Relembramos o dia de sua morte em memória de todos que foram assassinados, encarcerados e/ou torturados, seja pela ditadura de 64 ou a tal democracia de hoje. Prosseguimos suas batalhas afirmando que nossos mortos seguem vivos em nossas lutas.

Sabemos que as Forças Armadas ainda são atuantes na vida política do país. Atualmente existem seis generais em cargos chaves do Estado, entre ministros, interventor de estado e chefes de gabinete (Sérgio Etchegoyen, Carlos Alberto S, Cruz, Joaquim Silva e Luna, Walter Braga Netto, Mauro Sinott, R. Nunes). A militarização social anda a passos largos, a entrega da gestão de escolas públicas aos militares é prova disso, fora o aumento da repressão nas cidades e no campo e o ascenso de militares para cargos de vereadores e deputados. O que presenciamos é uma continuidade da guerra aos pobres, tratados como inimigos internos, hora pela ditadura agora pela “democracia”.

Resta a nós seguirmos através de métodos combativos (paralisação, greve, boicote, autodefesa) a luta pela vida e liberdade da classe trabalhadora e não sucumbir às ilusões eleitorais. Não podemos cair na tentação de se alinhar à regra do capitalismo para vencê-lo, até porque isso acarretaria em sujar as mãos com o sangue da população negra, dos pobres e dos nossos lutadores (assim como faz os partidos da esquerda eleitoreira ao reivindicar “melhores condições de trabalho pra polícia”). Portanto, o único caminho possível para honrar nossos mártires é o da luta e enfrentamento e não o da submissão.

Abaixo a farsa democrática!

Não vote lute! Construa o Sindicalismo Revolucionário!

Aos nossos mortos nem um minuto de silêncio, mas uma vida toda de luta!

 

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