O GERMINAL, n°47 – Ocupação da Reitoria, 2º Grande Ato e concepções em disputa no movimento

por Organização Estudantil CCI – Combativa, Classista e Independente da UnB (filiada à RECC/FOB)

Ano XI, Edição nº 47 – 23 de abril de 2018   [BAIXE EM PDF] / [BAIXAR CARTAZ]

NENHUMA OPRESSÃO É PERMANENTE, PERMANENTE É A LUTA!

Construir a greve geral na Educação!

As reformas neoliberais na Educação (Plano Nacional de Educação – PNE, Base Nacional Comum Curricular – BNCC, Reforma do Ensino Médio) tendo seus efeitos somados à Emenda Constitucional 95 (EC 95, do “teto dos gastos”), às mudanças nas relações trabalhistas e aos bilhões retirados da educação pelo governo Dilma e o atual governo Temer, sinalizam para a precarização da formação de trabalhadoras/res, aptos a seguirem as regras sem questionamento e/ou resistência. Apontam também para a privatização do ensino público com a finalidade de maximizar os lucros dos grandes empresários da educação. Para além, atacam diretamente o pouco acesso dos filhos dos trabalhadores ao conhecimento historicamente acumulado pela sociedade, empurrando para estes a servidão e a ameaça da fome.

AVANÇAR COM COMBATIVIDADE E AUTONOMIA: ABAIXO CUT e UNE PELEGAS!

Porém, na medida em que ocorrem os cortes na educação, a luta e a resistência avançam, respondendo golpe por golpe. A ação direta dos estudantes e trabalhadores da UnB está sendo fundamental nessa luta: com sua importante paralisação e ato combativo no MEC (10/04), ocupação do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE, também no dia 10/04), com a resistência contra a repressão policial, suas barricadas, ataque ao site da UnB, confisco dos materiais da limpeza e por fim a ocupação da REItoria da UnB (12/04). Tudo isso fez com que a voz da insatisfação e da justiça se espalhasse, forçando o próprio MEC e a REItoria a negociar.

Os recentes acontecimentos na UnB vêm nos mostrando várias coisas, entre elas que: quando agimos de maneira a garantir nossa autonomia afim de não ter rabo preso com nenhum partido que gere a administração estatal, de maneira séria e intransigente nos direitos dos trabalhadores, somos capazes de conquistar o que é impossível para os pelegos da burocracia sindical e estudantil (SINTFUB, FASUBRA, ANDES, DCE, UNE). Somente após a resistência e revide contra a repressão e a ocupação do FNDE foi que brotou algum representante do MEC para conversar e negociar. Assim como nossa REItora que só deu as caras para falar com a comunidade acadêmica devido a ocupação da reitoria. Quando marchamos juntos e firmes os parasitas reformistas são obrigados a se sacudir. O DCE/UNE, por exemplo, foi obrigado pela assembleia geral (16/04) a prestar apoio à ocupação que até então condenava, bem como o próprio SINTFUB vem sendo arrastado pela sua base e pelos trabalhadores terceirizados a agir e se posicionar.

CONSTRUIR A GREVE ESTUDANTIL RUMO A GREVE GERAL

Muitos estudantes e trabalhadores notaram que a situação é grave e sabem que o que está em jogo é o próprio ensino público, é a vida de famílias de inúmeras trabalhadoras e trabalhadores, para tal apontam para a construção da greve geral na UnB e nas IFES e escolas de todo o país para junto com aqueles mais afetados organizarem a luta. A Greve Geral não se constrói de maneira magica apenas por querermos ou por necessidade, ela deve ser preparada e gestada por ações materiais envolvendo a classe. Quanto a isso convocamos a cada estudante independente e Centros Acadêmicos a levantarem assembleias por seus respectivos cursos para: 1) Aprovação da greve estudantil e formação de comitês de greve por campus/curso; 2) Convocar os servidores, terceirizados e professores para a construção da Greve Unificada na UnB; 3) Fortalecimento da ocupação da REItoria, somando aos processos de luta já existente; 3) Todas e todos ao Segundo Grande Ato em Defesa da Educação no dia 26/04

TODO APOIO À OCUPAÇÃO DA REITORIA! VENCEREMOS!
Pelos terceirizados, pelos estagiários, pela educação pública!

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DUAS CONCEPÇÕES NO MOVIMENTO: a ação direta e o parlamentarismo estudantil

As ultra-pelegas UNE e CUT tentam colocar rédeas em um movimento que cresceu por fora das burocracias sindicais e estudantis. Sabendo que a radicalidade da luta pode por em cheque a política da Reitoria, é do seu interesse que a luta acabe o mais rápido possível. Para isso, caberiam às forças ligadas ao PT e UJS garantir que a Reitoria não seja muito desgastada. Mesmo após o golpe parlamentar os pelegos continuam a dizer que os problemas atuais tratam-se de questões administrativas menores e que elas não refletem algo mais estrutural. Caberia ao movimento propor mudanças cosméticas em acordos de cúpula com o Governo e Reitoria. Não querem construir um movimento amplo de enfrentamento estrutural.

Para estas burocracias sindicais e estudantis o sentido de uma luta se resume a uma questão de “conscientização da sociedade”; isto é, os trabalhadores e estudantes envolvidos devem buscar transmitir ao máximo de pessoas possível suas reivindicações e tentar convencer que a sua reivindicação é justa. Conscientizando a população, a luta poderia também convencer parlamentares a defenderem as reivindicações e, assim, haveria um “instrumento de pressão” que levaria o Governo a atender as reivindicações. Nesse caso, o máximo de preocupação que a luta geraria às atuais estruturas de poder seria o desgaste (quase midiático) de não atender uma reivindicação que o conjunto da sociedade considera justo. Como resultado, o confronto direto entre os trabalhadores e estudantes contra a política do Governo estaria diluída, secundarizada. Em tal via, portanto, a luta estaria sempre à mercê de parlamentares e da mídia, sendo estes os responsáveis por exercer pressão e não mais os sujeitos diretamente envolvidos.

Por outro lado, nós da CCI defendemos que o único modo pelo qual podemos nos tornar agentes ativos do processo de mudança de nossa realidade é criando instrumentos de pressão concretos que favoreçam a correlação de forças a favor do movimento. Isso, no entanto, não pode ser obtido delegando a outros sujeitos alheios o protagonismo das nossas lutas. Somente quando criarmos instrumentos de pressão, como ocupações de ministério, paralisações de órgãos essenciais, protestos, etc., é que teremos mecanismos efetivos de exigir que nossa pauta seja atendida; são nesses casos que o povo exerce a Ação Direta, entendido como a não mediação dos conflitos por forças que não sejam oriundas do próprio movimento. Para isso, precisamos ter clareza que há um confronto entre o Governo e movimento reivindicativo, e para que saiamos vitoriosos, precisamos impor o atendimento de nossas pautas, a despeito da vontade minoritária dos agentes do governo. Quando os canais de comunicação se esvaziam e o Governo ou a Reitoria não se mostram dispostos a atender nossa pauta, precisamos ser consequentes com a luta e criar instrumentos de pressão efetivos e justos. É isso que defendemos.

Como exemplo, podemos citar o ato no MEC no dia 10/04. Os manifestantes foram covardemente atacados pela polícia e, como reação, atacaram também o prédio e os policiais. Por mais que a mídia burguesa tente criminalizar a ação, precisamos aceitar que o confronto foi uma consequência da violência policial e da intransigência do Governo exercida para conter a manifestação; se abdicarmos completamente de uma ocupação e da autodefesa, por exemplo, estaremos de mãos atadas para pressionar o governo. Vale lembrar que mesmo uma ocupação pacífica já envolve certo grau de violência – já que pretende impor uma situação que o Governo não estaria disposto a aceitar. Na natureza dos poderes existentes, a resistência popular sempre acarreta alguma forma de violência, mesmo que seja da autodefesa em relação à violência primordial do Estado. É contra a violenta política educacional e econômica de depreciação das condições de trabalho e de estudo que devemos direcionar nossas críticas, pois que esta é a violência primeira que motiva as ações reativas, que são justas e legítimas.

Precisamos ser consequentes com a luta. O objetivo é que as reivindicações sejam integralmente atendidas, e existem as condições políticas e econômicas de fazê-lo; no entanto os poderes instituídos vêm demonstrando que não as aceitarão de bom grado, por isso é fundamental romper com as meras táticas de “conscientização” – que devem ser combinadas com táticas de combate. Na ausência de instrumentos de contra-poder, estaremos à mercê da boa vontade dos poderosos e burocratas. Porém, para criar tais instrumentos, precisamos entrar em algum grau de conflito com os poderes estabelecidos. Quando isto ocorre, chegamos ao ponto chave da luta de classes atual: a construção da ação direta e do poder popular para lutar pelos nossos direitos.

UNA-SE À CCI!

PELA REORGANIZAÇÃO DO MOVIMENTO ESTUDANTIL COMBATIVO!

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