Os caminhoneiros deram o primeiro passo, agora é greve geral contra o ajuste

    Por FOB-RJ

      A oscilação diária do preço de combustíveis unificou donos de transportadoras e caminhoneiros autônomos, mobilizando uma greve nacional dos caminhoneiros que se desenvolve em proporções inéditas. Após uma semana de greve seus efeitos são sentidos em todo o país, paralisando vários serviços. As empresas do setor de transporte, ao que tudo indica em desvantagem na disputa intraburguesa, tentaram cooptar o movimento e tirar vantagens dele. Porém os caminhoneiros autônomos, além de não reconhecerem os acordos de cúpula com o governo, seguiram se mobilizando com barricadas em crescente unificação, condenando os caminhoneiros que furam a greve e os bloqueios em detrimento da luta e dos esforços coletivos. O movimento ganhou uma dimensão que fugiu do controle das empresas e das entidades pelegas e agora assume um perfil de classe mais definido. Os prejuízos que os capitalistas já somam e os estragos no nefasto governo Temer/MDB são uma realidade que os caminhoneiros construíram através do uso de métodos históricos de luta como a greve, as barricadas, o bloqueio da circulação de mercadorias, os agrupamentos descentralizados e articulados. Mas a vitória dessa categoria depende ainda da sua capacidade de resistência e da solidariedade dos demais trabalhadores.

Seguir o exemplo da luta dos caminhoneiros

    1527180891_038789_1527181387_noticia_normal   A insatisfação geral com os preços dos combustíveis está unificando a classe trabalhadora e indica um apoio relativamente massivo à pauta dos caminhoneiros. Essa unificação, contudo, padece de uma dupla ilusão: a de que os preços dos combustíveis são a base e origem dos problemas e das condições de trabalho dos caminhoneiros; e a de que uma vitória do movimento dos caminhoneiros irá conduzir à redução dos combustíveis e, por conseguinte, a uma queda geral dos preços. A política de preços dos combustíveis na verdade compõe um conjunto de políticas neoliberais e entreguistas, de drástica desregulação econômica por parte do Estado em detrimento das condições de trabalho e de vida, que avançam a passos rápidos no governo Temer. Por isso o apoio à greve dos caminhoneiros deve ganhar as ruas. Só com os protestos populares em todo o país conseguiremos evitar que os caminhoneiros sejam multados e sofram com a repressão das medidas de Temer. É através da mobilização que conseguiremos barrar os ataques aos nossos direitos e o aumento da precarização das condições de vida.

          Nesse movimento os caminhoneiros por si alcançarão no máximo seus objetivos específicos. Os trabalhadores querem e precisam alcançar outras vitórias também. Fazer a Petrobrás e demais empresas públicas funcionarem para o povo, derrubar as reformas trabalhista e da previdência, acabar com a política de entrega do país, conquistar aumento real do salário, entre outras pautas só será possível se partirmos para a ação. Nenhum governo e nenhum patrão são capazes de conter um povo que se levanta. É isso o que os caminhoneiros estão mostrando. Devemos seguir seu exemplo e ir à luta, tendo a clareza de que o poder está somente nas mãos dos trabalhadores.

Toda ilusão em salvadores da pátria deve ser abandonada

          Os trabalhadores se solidarizam com a luta dos caminhoneiros porque sentem e entendem a necessidade de lutar pelas suas condições de vida. Não se trata simplesmente de levantar a bandeira a favor ou contra determinado político ou partido, mas de garantir minimamente a sobrevivência diante de um cenário de perdas. Temos que aprender corretamente a não confiar nas corjas eleitoreiras e sindicalistas pelegas. Mas a rejeição a uma quadrilha de ladrões não pode ter como alternativa o aprisionamento de toda a sociedade: O povo trabalhador precisa rejeitar também a ilusão de entregar o poder na mão dos militares. A solução para os problemas da classe trabalhadora virá somente através dos próprios trabalhadores organizados e unidos solidariamente.

Greve Geral Já!

          A esquerda burocrática e legalista (partidária e sindicalista) se debate perante um movimento de trabalhadores com uma dinâmica descentralizada e um perfil heterogêneo. Apressadamente tentou taxar a greve de locaute, como se fosse exclusivamente um movimento manipulado pelos donos das transportadoras. Ela só aposta em movimentos que conduzirão à estabilidade da democracia burguesa e à liberdade de seu hábil conciliador de classe. Se aderir ao movimento, irá tentar pautá-lo pela “defesa da democracia”, o que tem se mostrado como um escudo ao governo MDB. A direita também tenta pautar o movimento, tanto através do conservadorismo militar intervencionista quanto da pulverização das pautas através das mídias burguesas.

           Não podemos nos deixar levar por estes campos, que só estão interessados em desviar a luta dos trabalhadores para seus próprios interesses. A pauta que deve ser seguida é aquela que combate a política criminosa que tem roubado os direitos das trabalhadoras e dos trabalhadores e produzido a piora das condições de vida. A GREVE GERAL combativa é o meio de avançar nesse sentido. E o momento de fazê-la é agora. Sem aparelhamento das centrais sindicais. Sem apelar para o vago combate à corrupção. Sem temer a repressão. Sem conciliação com governos e patrões. Sem militarização. Todos às ruas parando toda a produção e circulação, pondo de joelhos os ladrões e exploradores do povo.

NÃO TEMOS UMA DEMOCRACIA A DEFENDER, MAS UM AJUSTE A COMBATER

NÃO À INTERVENÇÃO! SIM À REVOLUÇÃO POPULAR!

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