O incêndio do Museu Nacional e o avanço do neoliberalismo

A tragédia do Museu Nacional da UFRJ (MN-UFRJ) revela a precariedade das condições das instituições públicas de ensino, pesquisa e cultura pelo país. Na mídia corporativa, não faltam matérias, desde pelo menos 1978, ainda na Ditadura Empresarial-militar, sobre as péssimas condições que se encontravam as instalações do MN-UFRJ. Na UFRJ, desde pelo menos 2011, já ocorreram 5 incêndios, evidenciando a precariedade das instalações e o risco que correm trabalhadoras e trabalhadores, estudantes e vistantes.

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Mais de 30 anos de política neoliberal no país só escancaram o projeto de país a serviço da classe dominante. Nos últimos anos gastaram bilhões para destruírem o Maracanã e nunca teve interesse em repassar recurso para o MN- UFRJ que fica a dois quilômetros do Estádio, destruído, mesmo tombado pelo IPHAN. Mas o projeto de cidade e governo do PMDB, atual MDB, e de seu parceiro, o PT, tinha como objetivo a realização de mega eventos do capitalismo global vinculado a FIFA e o COI, e não em melhorar e preservar museus e equipamentos públicos frequentados pela classe trabalhadora do subúrbio carioca e da baixada fluminense. A Polícia Militar e a Guarda Nacional atacou até os visitantes da Quinta da Boa Vista e do MN-UFRJ, no dia 16 de junho de 2013, abertura da Copa das Confederações da FIFA.

Logo destruído o acervo do museu, os abutres estatais e privados apareceram. A Federação dos Bancos, FEBRABAN, o ministro da Cultura, Sérgio Sá Leitão; da Educação, Rossieli Soares da Silva; da Casa Civil, Eliseu Padilha e o presidente Temer/MDB aparaceram com recursos num passe de mágica. O ministro Sérgio Sá Leitão continua sua sanha privatista e toda entrevista é um beija mão a iniciativa privativa, a mesma que não se interessou entre 2010 e 2018, em patrocinar seis projetos aceitos no Ministério da Cultura (MinC) para captação de recursos via Lei Rouanet.

Em dezembro de 2016 o governo Temer aprovou Emenda Constitucional 95, a chamada PEC dos gastos públicos, ou melhor, a PEC do Fim do Mundo, que praticamente congelam recursos e investimento estatais em 20 anos. A classe dominante aplaudiu, assim como os principais jornais, a assessoria de impressa dos poderosos. A deterioração dos serviços públicos é cada dia mais evidente.

Quando a então PEC do Fim do Mundo recebeu esse apelido não era exagero algum e, infelizmente, o incêndio do MN-UFRJ é a prova disso. Com o congelamento dos investimentos públicos, os serviços mais fundamentais para o povo irão entrar em colapso. Se a destruição do museu significou a perda irreparável de 20 milhões de itens, um patrimônio material e imaterial que deveria estar a serviço do povo que o sustentava.

Em meio as discussões da EC 95, foram realizados atos de resistências, ocupações estudantis e greves com enfrentamento contra o aparato militar, nos estados e na Capital Federal. Em 2017, foi organizada uma greve geral no dia 28 de abril e o ocupa Brasília de 24 de maio, onde as bases demonstraram sua real disposição para luta e os trabalhadores romperam a barreira policial e destruíram vários ministérios. Sobre pressão as principais centrais sindicais do país chegaram a convocara uma nova greve geral para 30 de junho. No entanto, as mesmas centrais capitularam e começaram a destruir e desmobilizar a greve geral, assim como o PT já se dedicava não a luta contra o ajuste fiscal, mas já antecipava a discussão eleitoral em defesa de Lula na disputa presidencial.

Não precisamos de salvadores. E não será por eleição de um ou outro candidato que vamos impedir o sucateamento da educação, cultura e pequisa no País. É preciso tomar as rédeas da luta em nossas próprias mãos, isso é ação direta. O caminho é a construção de uma Greve Geral contra o Ajuste Fiscal e contra as Reformas Neoliberais.

Greve Geral contra o Ajuste Fiscal!

Não Vote, Lute! Construa o Sindicalismo Revolucionário!!!

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