REACENDER A CHAMA DE STONEWALL! Construir a resistência LGBT contra as violências, a discriminação e o governo fundamentalista de Bolsonaro/Mourão

Comunicado Nacional da FOB, 28 de junho de 2019.

Assim, as práticas classistas têm o efeito organizativo e educativo de mostrar as relações entre a condição local e as estruturas globais. Ao mesmo tempo, as lutas anti-discriminatórias visam colocar a diversidade como base da unidade de classe. […] O programa anti-discriminatório é essencial a uma política classista e internacionalista. Isso porque a discriminação não afeta apenas segmentos específicos, mas também emperra os processos de redistribuição e reconhecimento em geral. Quer dizer, uma visão corporativista de sacrificar uma parte do programa para realizar a outra é uma ilusão. A realização das ações e lutas de reconhecimento e redistribuição gerais reforçam as anti-discriminatórias e vice-versa, e o declínio de uma, irá – mais cedo ou mais tarde, implicar em um retrocesso global. […] As medidas anti-discriminatórias não são só genericamente progressistas, mas também tem um papel educativo e organizativo essencial. As reivindicações de redistribuição e reconhecimento de ordem geral e as de natureza anti-discriminatória mudam o patamar de organização e educação política das massas. Ou seja, elas exigem outro tipo de organização e outros métodos de ação. Esse programa não pode ser assumido por qualquer tendência existente hoje. Ele precisa ser assumido por uma tendência de tipo sindicalista revolucionária.

– Teses para construção de uma Tendência Classista e Internacionalista, I ENOPES, 2013.

Há 50 anos, em Nova York (EUA), no bar Stonewall Inn, o dia 28 de junho seria marcado como uma data de rebelião contra as perseguições e agressões para com a população LGBTI. Este levante foi o precursor do Dia Internacional do Orgulho LGBTI e desde lá milhões de pessoas saem às ruas afirmando seu direito de existir e denunciando as opressões que são parte de sua rotina.

No Brasil, país recordista em assassinatos de pessoas transexuais, e historicamente sexista, a luta pela vida, por condições de trabalho, estudo, e moradia da população LGBTI, sempre esteve em chamas e nunca se apagou. Em 2018, 420 mortes foram registradas por homicídio ou suicídio decorrente de discriminação de integrantes da população homoafetiva e transexual. A expectativa de vida em alguns casos não chega a 40 anos de idade.

Com o governo civil-militar de Bolsonaro/Mourão, o Estado nacional assume seu caráter mais reacionário e aumenta seu tom inquisitorial legitimando ataques contra a população que não se encaixa nos padrões preconceituosos e sanguinários desse governo. Neste mês de junho, o Palácio do Itamaraty orientou a seus diplomatas que vetassem qualquer referencia ao termo “gênero” em resoluções da ONU.

É tarefa de urgência a construção da autodefesa de LGBTI nas escolas e universidades, nos bairros, campos, empresas e fábricas. Devemos manter a luta por uma educação pública que não exclua os debates e projeto relativos à vida e dignidade desses setores sociais. Afinal, independente do governo, essas pessoas continuam morrendo e sendo alvo de caça, daquelas/es que se acham no direito de matar e humilhar de diferentes formas, seja pela violência psicológica e/ou física.

Somente uma resistência firme e combativa, construída pela união do povo explorado e marginalizado, há de conquistar direitos e esmagar o preconceito contra os seus. Sabemos bem que em uma sociedade, a ideia dominante é a da elite no poder, e essa elite brasileira nunca negou a direção de suas práticas mortais.

Contudo tal resistência também se da a todo instante, por isso é necessário uma desconstrução diária de comportamentos e práticas que inviabilizam a vida, e o direito de existir da forma que se escolhe. Por isso devemos nos formar, precaver e combater ações homofóbicas, sexistas, racistas, e qualquer outra do tipo que possa ser reproduzida no seio do povo, avançando nas formas de acolhimento para com os oprimidos. Gerar espaços de voz e resistência à excluídxs e perseguidxs por sua orientação sexual e identidade de gênero, para que possam avançar ombro a ombro com seu povo na luta contra o capitalismo e sua ideologia segregacionista e mortal. Desde já, fortalecer as mobilizações contra o silenciamento, contra a violência e a precarização das condições de vida e de trabalho, em defesa da liberdade e dos direitos LGBT.

SIGAMOS FIRMES CONTRA AS ESTRUTURAS SANGUINÁRIAS CAPITALISTAS!
AUTODEFESA E SOLIDARIEDADE PRA VIVER! AÇÃO DIRETA E AUTONOMIA PRA VENCER!
ABAIXO O FUNDAMENTALISMO E MILITARISMO DO GOVERNO BOLSONARO!
TRABALHADOR/A LGBT: FILIE-SE AO SINDICALISMO REVOLUCIONÁRIO!

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