Solidariedade ao MRP marca a segunda audiência que tenta criminalizar lideranças da luta por moradia no DF

No dia 23/10, no Fórum de Samambaia, ocorreu a segunda audiência do processo judicial movido contra integrantes do MRP (Movimento Resistência Popular) com o objetivo de criminalizar as lideranças dos movimentos sociais sob a falsa acusação de extorsão das famílias e constituição de organização criminosa.

O Sindicato Geral Autônomo (SIGA-DF), a Federação Autônoma dos Trabalhadores (FAT-GO), ambas filiadas à FOB, além da CSP-Conlutas e famílias organizadas no MRP, se fizeram presentes manifestando seu apoio às vítimas do judiciário e da especulação imobiliária do DF.

O Fórum por si só é um espaço do inimigo de classe. Lá dentro não pode manifesto algum, seja de cartazes ou gritos de ordem. Insistimos em grudar nossa faixa dentro do Fórum e só retiramos quando fomos intimados por um policial judiciário e dois PM, que nos informaram que aquela ação era crime.

Na audiência foram ouvidas várias pessoas que participam do movimento desde sua fundação e o responsável por uma empresa de ônibus que por várias vezes teve serviços contratados pelo movimento para participar de atos e mobilizações. Todas as testemunhas ouvidas até agora, que participam ou participaram do movimento, negaram qualquer tipo de cobrança obrigatória ou de terem sido ameaçadas por qualquer membro da coordenação do MRP para fazer qualquer tipo de pagamento. O mesmo aconteceu com os depoimentos das testemunhas de acusação convocadas pelo Ministério Público. A única testemunha ouvida que relatou prática de cobrança e extorsão é de um policial que foi infiltrado no movimento, com autorização judicial. Além disso, não há prova material contra os acusados. O processo é todo baseado em escutas telefônicas e num relato de um policial infiltrado, mas em nenhuma das escutas transcritas nos processos foi verificado qualquer tipo de cobrança ou ameaça as famílias que participam do movimento.

Juridicamente, foi uma vitória parcial. A audiência foi adiada mais uma vez pois uma das  testemunhas de acusação foi trocada de última hora. Diante isto a defesa solicitou adiamento do processo, pois deveria seguir o rito de avisar com antecedência quem irá testemunhar.  A data da próxima audiência será dia 07/11, no Fórum de Samambaia (TJFDT), momento em que ocorrerá outro ato de solidariedade.

Por mais bizarro que seja, o processo de criminalização da luta por moradia no DF é levado a cabo por pelegos do PSOL e MTST e suas estratégias de poder. O silêncio e a cumplicidade da burocracia sindical e partidária do DF com mais esse caso de perseguição política é criminoso e não poderá ser esquecido, nem perdoado

A atividade fortaleceu os laços entre os próprios membros da FOB e militantes populares de outras organizações, seguros que estão lutando por justiça, apoiando a luta popular pela moradia, contra as máfias estatais e empresariais da especulação imobiliária e grilagem de terras no DF.

LUTAR NÃO É CRIME! TODO APOIO AO MRP!


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