Consciência negra: Lembrar as lutas do povo negro e seguir na resistência por uma sociedade igualitária e livre

Comissão de lutas antidiscriminatórias do SIGA-DF

Primeiramente, devemos lembrar que a ideia de consciência negra não pode se restringir a um único dia, semana ou mês. O estudar, lembrar e aprender com as lutas por liberdade e direitos da população negra brasileira deve ser uma constante na vida de todas/os que buscam construir um país melhor para o povo negro e toda classe trabalhadora.  Datas históricas marcam calendários, e a morte de Zumbi dos Palmares, no dia 20 de novembro de 1695, não deve ser comemorada, mas sim, lembrada e refletida como sinônimo de lutas que no passado foram fundamentais contra um regime escravocrata, e que ainda hoje são centrais para combater a crueldade capitalista sobre o povo negro no Brasil e no mundo.

Zumbi e Dandara, heróis do povo negro e da classe trabalhadora

Importante ressaltar que o racismo existe para além do capitalismo, age de muitas formas, no sentido que, se uma luta contra a classe dominante não estiver agindo também contra o racismo, algo pode mudar, mas a estrutura racista se manterá. Dessa forma, são lutas que se constroem conjuntamente, a luta contra o racismo e contra o capitalismo, mantenedores de violências.

Levando em conta que a consciência e luta contra o racismo tem a educação como um dos eixos centrais, não é de se estranhar que durante tanto tempo, e ainda hoje, em várias escolas do Brasil, as histórias de resistência contra a escravidão e lutas por direitos sociais feitas pelo povo negro ainda sejam negadas ou “apagadas dos livros”, de forma visivelmente política. Um povo que conhece sua própria história é mais crítico e ativo em sua realidade, e, com certeza, os governos do país não tem interesse em críticas e mobilizações por mudanças para o povo que precisa.

Assim como o fim da escravidão teve como principais protagonistas lutadoras/es negras/os, por meio de rebeliões e quilombos que passaram a existir desde da chegada do primeiro navio negreiro nessas terras, o fim da exploração da classe dominante sobre nós, classe trabalhadora, majoritariamente formada de negras/os, deverá ser obra de nossa própria classe. Sem governos ou partidos eleitoreiros! Nós por nós! Não se acaba com o capitalismo se enganando com poder de consumo e dívidas em crescimento! Quanto mais capitalismo, mais desigualdades e opressões, mais racismo!

No Brasil de agora, com um governo de Estado declaradamente racista, infelizmente, notamos com facilidade, as lacunas deixadas por essa história marcada por injustiças e violências. Diversas pesquisas, as ruas e as instituições governamentais, como polícias e presídios, mostram a que setor do povo é direcionada a maior parte da fúria repressora do capitalismo. Salários mais baixos, menores índices de escolaridade, vulnerabilidade as violências sociais, e adoecimento psíquico por conta do racismo, são realidades da população negra brasileira.

No Distrito Federal – DF, por exemplo, com rápida pesquisa sobre estudos publicados esse ano, é possível ver a disparidade de rendas entre brancos e negros, diretamente relacionada com o fator de região de moradia e também com o fator de sexo, pois as mulheres negras continuam em resistência tendo os menores salários. A construção de Brasília, erguida com grande maioria de braços negros, contrasta-se com a realidade de privilégios brancos em todos os indicadores de “desenvolvimento social”. 

A história também é viva, e nos provoca diariamente quando estamos atentas/os as contradições sociais. Educadoras/os de todo o país devem estudar e falar em suas turmas sobre a importância dos movimentos de resistência negra no Brasil e em outras regiões do mundo, das conquistas sociais com manifestação e outras ações diretas, e não somente no mês ou no dia 20 de novembro. Lutas inspiram outras lutas, e é da ação de seres humanos movidos pela necessidade de mudanças que surgem as transformações sociais.

Referências negras em todas as áreas estudadas na escola, não faltam, todavia, no geral ainda são excluídas e silenciadas. E por conta de um projeto ainda maior que a formação e inquietação limitada do professor/a, no que diz respeito ao assunto, projeto que vai negar narrativas da cultura afro-brasileira viva, com sua rica diversidade, e memórias de resistências e conquistas ao longo do tempo, assim como dos desafios tão visíveis do presente, que clamam por atenção e ação. Denunciamos um Estado brasileiro que produz uma declarada “caça aos que não interessam livres”, e esses, na quase totalidade dos casos, tem cor e classe social definidas. Na maioria das vezes, negro, jovem, pertencente e filho da classe trabalhadora.

Refletir sobre a militarizações de escolas públicas no Brasil, sendo a maioria feita de forma autoritária, quase a totalidade concentrada em zonas periféricas das cidades, é um exemplo de como age o Estado, com seu cunho racista e aprisionador, que governos municipal, estadual e federal vêm fazendo. A repetição sintomática e cínica de agir com violência para resolver problemas sociais, que, sem dúvida a escola não estará isolada nesse contexto. Há de se pensar e fazer projetos que deem sentido e oportunidades reais de mudança para estudantes pobres, que no estudo ou no caminho que escolherem de trabalho, possam viver e não somente trabalhar. Serem críticas/os em suas realidades e no coletivo, e enxergarem horizontes de mudanças.

Zumbi, Dandara, Tereza de Benguela e Carlos Marighela, vivem em nossas memórias, busca e construção de justiça! A presença de todas/os lutadoras/es negras/os que no passado e no presente  atuam e atuaram nas luta contra o racismo, machismo, capitalismo e demais formas de opressões, é viva em nossos corações!

Abaixo o governo Bolsonaro/Mourão e racismo do Estado brasileiro!

Fora todos! Todo poder ao povo!

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