Solidariedade às lutas anticoloniais dos povos

As potências imperialistas, principalmente os EUA e a União Europeia, contando com o apoio das burguesias locais, impõem a exploração e a opressão sobre os povos ao redor do globo.

O poder dos capitalistas é internacional, portanto, a resistência do proletariado e dos povos oprimidos tem que ser igualmente internacional. Um dos princípios do Sindicalismo Revolucionário é o internacionalismo, isto é, a solidariedade com todas as lutas contra a exploração e a opressão burguesas, contra as agressões imperialistas, em defesa da emancipação dos povos e da Revolução Social.

A REVOLUÇÃO DE ROJAVA

Em julho de 2012, eclodia a Revolução de Rojava, no contexto dos desdobramentos das revoltas de 2011, conhecidas como a Primavera Árabe, da Guerra Civil na Síria e do protagonismo da atuação revolucionária do PKK (Partido dos Trabalhadores do Curdistão). Rojava, também conhecida como Curdistão sírio, é a região curda localizada no norte da Síria que se insurgiu, em 2012, e derrotou, em 2013, o Exército Livre Sírio (FSA), alinhado ao imperialismo norte-americano.

As organizações armadas do PKK, a YPG (Unidade de Defesa Popular) e YPJ (Unidade de Defesa Feminina), protagonizaram a luta armada revolucionária. Hoje Rojava é um território autônomo, sob controle popular organizado a partir do Confederalismo Democrático, uma atualização do autogoverno do povo.

Entretanto, o povo curdo está sofrendo com a ofensiva contrarrevolucionária do Estado turco, sob a liderança de Erdoğan. O exército turco aproveitou a saída das tropas norte-americanas da região para promover um verdadeiro massacre. Defender a luta do povo curdo e a Revolução de Rojava é defender a Revolução Social.

O LEVANTE INDÍGENA NO EQUADOR

O levante indígena no Equador começou no dia 11 de outubro, com os protestos contra as medidas econômicas impostas pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) e implementadas pelo governo Lenín Moreno. Dentre outras consequências do pacote de ajustes de Moreno, ocorreu um aumento do preço do diesel e da gasolina, por causa da eliminação de subsídios estatais. Os protestos começaram com a organização da greve nacional do setor de transporte, convocada pelos caminhoneiros.

A greve se converteu numa manifestação de massa contra as medidas do governo. Os enfrentamentos violentos se generalizaram. A Confederação de Nacionalidades Indígenas do Equador (CONAIE), que lançou no final de setembro a “Jornada Progressiva de Luta” contra as políticas neoliberais impostas pelo FMI, começou sua participação nos protestos organizando a interdição de estradas pelo país e com uma marcha para a capital do país.

Com a intensificação dos protestos, o governo Moreno decretou estado de exceção. A repressão matou ao menos sete pessoas, feriu mais de 1.300 e prendeu cerca de 1.152 manifestantes. Porém, não conseguiu aplacar a revolta popular. As ruas de Quito foram tomadas, o governo se transferiu para Guayaquil, e o povo ocupou o parlamento. O governo recuou e anunciou a revogação da medida que contava os subsídios dos combustíveis. Essa luta autônoma e radicalizada do povo só foi possível porque, em 2007, quando o reformista Rafael Corrêa assumiu a presidência, a CONAIE declarou sua independência frente ao governo e recusou todas as tentativas de tutela de suas lutas.

A REVOLTA NEGRA: A INSURGÊNCIA HAITIANA

Milhares de haitianos ocuparam as ruas de Porto Príncipe, desde setembro de 2019, exigindo a renúncia do presidente Jovenel Moïse, que tem implementado as políticas neoliberais do FMI e se encontra envolvido em escândalos de corrupção enquanto o povo sofre com a extrema pobreza e com 70% da população desempregada.

No ano passado, uma onda de protestos foi desencadeada por uma crise de abastecimento dos combustíveis, que afetou todos os setores do país, prejudicando o acesso a produtos básicos e o transporte. A escassez também foi a justificativa para o governo de Moïse aumentar os preços dos combustíveis no país.

Segundo a Rede Haitiana de Defesa dos Direitos Humanos, mais de 20 manifestantes foram mortos pela repressão e o número de feridos já ultrapassa a casa dos 200.

A história do Haiti é a história da insurgência negra. Em 1791, tem início a Revolução Haitiana, a primeira e única revolução negra nas Américas que levou ao fim da escravidão e a independência de uma nação.

O imperialismo nunca perdoou essa afronta. Por isso, os EUA e as potências europeias nunca mediram esforços para jogar o país na miséria. Entre 1915 e 1934, o país foi ocupado pelas tropas estadunidenses. Entre 2004 e 2017, o país voltou a ser ocupado, dessa fez pelas tropas da ONU com o comando do governo brasileiro, através da chamada MINUSTAH, chefiada pelo General Augusto Heleno, atual ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) e mandante dos massacres, estupros e toda repressão contra o povo haitiano na época da ocupação subimperialista. Agora, o povo haitiano mostra que a revolta negra não pode ser domada. Mais uma vez insurgem contra a miséria e a opressão.

A REBELIÃO DO POVO IRAQUIANO

A capital do Iraque, Bagdá, e cidades da região do sul do país enfrentam, desde o dia 1º de outubro de 2019, uma onda de protestos contra o governo de Barham Salih. A repressão do governo e a violência dos conflitos deixaram cerca de 220 vítimas fatais e milhares de feridos nas manifestações. O estopim dos protestos são as denúncias de corrupção do governo, entretanto, a miséria, o desemprego, o alto custo de vida e a má qualidade dos serviços públicos provocam a revolta popular.

Os EUA invadiram o Iraque, em 2003, sobre o pretexto de que o ditador Saddam Hussein teria um arsenal de armas químicas e de destruição em massa, que nunca foram encontradas. O país foi assolado por uma guerra civil e continua profundamente dividido. O real interesse imperialista sempre foram as reservas de petróleo iraquiano. O país foi destruído, o povo vive na miséria, para que as potências imperialistas aumentem seus lucros com a exploração do petróleo. A rebelião do povo iraquiano tem que ser convertida numa insurreição socialista que aponte para a Revolução Social.

A INSURGÊNCIA NO CHILE

Como resultado da barbárie instaurada pela consolidação do neoliberalismo no Chile, laboratório das grandes privatizações na América Latina durante a ditadura militar de Augusto Pinochet (1973-1990), uma das mais sanguinárias da América Latina, hoje o povo se levanta diante de uma crise sem precedentes. Afetando diretamente a população, a alta dos custos de vida, a privatização da água, um modelo econômico baseado no extrativismo, a privatização da educação e de todos os serviços públicos demonstra claros sinais de esgotamento. Desde o dia 14 de outubro até hoje, sem sinais de recuo, o povo chileno nas cidades e no campo, com forte protagonismo indígena através da resistência do povo Mapuche, tomam as ruas e recuperam terras do latifúndio em um processo que podemos indicar como pré-revolucionário e assombra os grandes proprietários de terra, grandes capitalistas e donos do poder. A resposta do regime assassino do presidente multimilionário Sebastián Piñera tem sido um incremento das forças de repressão, resultando em um saldo de mais de 27 mortos, mais de 11.564 feridos, 15 mil pessoas presas ou detidas e 442 denúncias de tortura e abusos sexuais por parte dos carabineros, equivalente à Polícia Militar Chilena.

As manifestações demonstram forte presença de setores autônomos, anarquistas e indígenas, em uma dinâmica que resulta em processos massivos de desfiliação de pessoas de partidos políticos. A chamada “primera línea” faz relembrar as linhas de frente dos blocos negros em junho de 2013 no Brasil, com adesão cada vez mais ampla das massas de jovens e trabalhadores/as.

AVANTE AS LUTAS ANTICOLONIAIS E ANTICAPITALISTAS DOS POVOS OPRIMIDOS DO MUNDO

No Brasil, o avanço do capital sobre os territórios através das cadeias produtivo-extrativas reflete uma tendência global com reflexos diretos no continente latino-americano. As queimadas na Amazônia, a liberação da mineração em terras indígenas, os massacres no campo vivenciados pelos povos indígenas, quilombolas e comunidades tradicionais e camponesas, o genocídio do povo negro nas favelas brasileiras e a superprecarização do trabalho desenham um cenário crítico, porém permeado de lutas e levantes populares. As retomadas e autodemarcações de terras indígenas, de norte a sul do país – a exemplo dos Kaiowa, Guarani, Munduruku e Ka’apor -, as lutas por moradia nas grandes cidades, as mobilizações estudantis contra o desmonte e privatização da educação, a greve dos petroleiros e a solidariedade de classe: todos estes fatores nos mostram claramente que a vitória é possível. Para isso, é preciso esmagar não só fascismo, mas também o oportunismo e o eleitoralismo, toda e qualquer conciliação com os de cima.

A violência revolucionária, a autodefesa, a libertação territorial, a luta por autonomia e a auto-organização popular são os principais pilares da resistência a nível continental. É preciso unir-se à grande rebelião dos povos que se avizinha, e levantar a bandeira da revolução social. A luta é uma só!

COM TODAS AS LUTAS CONTRA A EXPLORAÇÃO E A OPRESSÃO BURGUESA E COLONIZADORA!
CONTRA AS AGRESSÕES IMPERIALISTAS!
EM DEFESA DA EMANCIPAÇÃO DOS POVOS E DA REVOLUÇÃO SOCIAL!

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