Mulheres que dedicaram suas vidas à luta pelos direitos do povo

Elvira Boni Lacerda (1899-1990)

Costureira filha de imigrantes italianos, começou a trabalhar aos 12 anos. Como costureira começou a ter contato com jornais operários e anarquistas e fundou, com outras 50 companheiras, a União das Costureiras, Chapeleiras e Classes anexas, que funcionava na sede da União dos Alfaiates do Rio de Janeiro. A primeira iniciativa da associação das operárias e costureiras, ainda em 1919, foi deflagrar greve pelas 8 horas de trabalho. Elvira foi uma das representes das costureiras no 3º Congresso Operário Brasileiro, realizado no Rio de Janeiro em 1920.

Laudelina de Campos Melo (1904-1991)

Fundadora do primeiro sindicato de trabalhadoras domésticas do Brasil. Militante do Partido Comunista do Brasil (PCB), Laudelina fundou a primeira Associação de Trabalhadores Domésticos do país. A entidade ficou fechada durante a ditadura do Estado Novo e voltou a funcionar em 1946.

Maria Angelina Soares (1905 – 1985)

Artesã bordadeira defensora das ideias anarquistas. Em 1914, Maria Angelina participou da organização do jornal operário de ideias anarquistas “Germinal-Barricata”. Seu primeiro artigo, “A Guerra”, foi publicado em 1915 no jornal libertário “A Lanterna”. Depois colaborou em “A Voz da União” e com o “Plebe”, todos jornais operários de ideias anarquistas.

Helenira Resende, Preta (1944-1972)

Guerrilheira e dirigente estudantil, foi vice-presidente da UNE e integrou as Forças Guerrilheiras do Araguaia (FOGUERA/PCdoB). Preta cursou Letras e Filosofia na USP e foi presa em 1968, durante o XXX Congresso da UNE, caiu na clandestinidade usando o codinome Fátima e foi para o Araguaia organizar a luta armada contra a ditadura empresarial-militar, sendo emboscada em setembro de 1972, ferida no tiroteio e metralhada nas pernas, recusou-se a entregar a localização dos companheiros aos militares, e foi torturada e morta a golpes de baioneta.

Patrícia Galvão, a Pagu (1910-1962)

Escritora paulista formada em Artes Dramáticas. Em 1930 ingressa no Partido Comunista e, em 1931, ao participar da organização de uma greve de estivadores em Santos, ela foi presa pela polícia de Getúlio Vargas, tornando-se a primeira mulher presa no Brasil por motivações políticas. Em 1935, após participar da Levante Comunista, Pagu foi detida, torturada e condenada a dois anos de prisão. Foi presa 23 vezes por causa da sua militância política.

Carolina Maria de Jesus (1914-1977)

Foi uma escritora brasileira, conhecida por seu livro “Quarto de Despejo: Diário de uma Favelada” publicado em 1960. Carolina de Jesus foi uma das primeiras escritoras negras do Brasil. Viveu na favela do Canindé, na zona norte de São Paulo, sustentando a si mesma e seus três filhos como catadora de papéis. Em 1958, tem seu diário publicado sob o nome “Quarto de Despejo”, com auxílio do jornalista Audálio Dantas. O livro fez um enorme sucesso e chegou a ser traduzido para catorze línguas.

Margarida Maria Alves (1933-1983)

Trabalhadora camponesa nascida no estado da Paraíba. Foi eleita para presidir do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Alagoa Grande, na Paraíba em 1973. Militou pela extensão dos direitos trabalhistas para os trabalhadores e trabalhadoras do campo, como carteira de trabalho assinada, 13º salário, jornada de trabalho de oito horas diárias e férias. Foi assassinada a mando de latifundiários em 1983.

Edmea da Silva Euzébio (1946-1993)

Uma das líderes do movimento “Mães de Acari”, que denunciava o desaparecimento de 11 jovens moradores da favela de Acari. Os jovens estavam num sítio em Magé e foram levados por homens encapuzados que se identificaram como policiais. No dia 15 de janeiro de 1993, Edmea foi assassinada no Centro do Rio de Janeiro, quando investigava o desaparecimento dos jovens de Acari. Segundo as investigações, Edmea, conseguiu provas contra o coronel da PM e ex-deputado estadual Emir Campos Laranjeira.

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