31 de março – de 1964 a 2020: o vírus da ditadura e o COVID-19 à solta

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por Federação Autônoma dos Trabalhadores de Goiás, filiada à FOB

O ex-comandante do Exército Brasileiro general Eduardo Villas Boas, assessor do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), manifestou-se em sua conta do Twitter contra “ações extremadas” para o combate ao coronavirus (COVID-19) no Brasil. Citando a greve dos caminhoneiros de 2018, saiu em defese de Bolsonaro dizendo que o presidente “não tem outra motivação que não o bem estar do povo e o futuro do país”, que ele tem uma postura que revela “coragem e perseverança nas suas próprias convicções”.

Sabemos que isso é uma grande MENTIRA. Bolsonaro é ignorante e bitolado, como muitos militares, que na base da força autoritária de cima pra baixo querem impor o que é verdade e o que é mentira, como sabemos muito bem, sendo a Ditadura Militar de 1964 uma grande prova disso.

Bolsonaro e os militares estão preocupados em manter a economia burguesa e as grandes taxas de lucro dos grandes empresários e bancos e não o povo brasileiro. Tanto é que relutam em favorecer o povo durante esta crise! Preferem que o povo trabalhador morra infectado do que auxiliá-los durante a crise da COVID19.

Quatro verdades estão escancaradas:

      1.  quem faz a economia girar é o trabalhador. O patrão sem trabalhador não é absolutamente NADA!;
      2. estão com medo de agitações, saques e protestos contra a ineficácia do governo brasileiro e seu escasso e demorado auxílio. Com isso deixam claro que O CRIME, A CONVULSÃO SOCIAL, O PROTESTO, não são “ideológicos”, mas sim necessidades da própria vida em um sistema opressivo que nos deixa na pobreza;
      3. que o neoliberalismo (estado mínimo para o povo e máximo para a burguesia, militares e judiciário) é ineficaz para combater crises e assistir a população trabalhadora;
      4. que os militares não querem o “bem estar do povo e o futuro do país” mas sim defender grandes empresários e deixar alguns morrerem para salvar o sistema.

Bolsonaro vê o dia do Golpe de 64 como o “dia da liberdade”. Dia 31 de março foi quando se iniciou o movimento golpista, que consumou-se em 1º de abril. General Mourão, seu vice, declarou que as Forças Armadas “intervieram na política nacional para enfrentar a desordem, subversão e corrupção”. O ministro da Defesa, Fernando Azevedo e Silva, outro general, disse que o poder dos militares foi um “marco para a democracia brasileira”, contra as “ameaças que se formavam àquela época”. As ameaças são precisamente as reformas de base de Jango (João Goulart, filho de latifundiários), reformas bem tímidas por sinal. Sua reforma agrária, por exemplo, consistia em assentar famílias em beiras de estradas, muito distante do fantasma “comunista” que os militares tanto exaltam.

O que esses militares querem é poder reprimir livremente o povo pobre, com o discurso do espantalho do comunismo, que praticamente é inexistente no Brasil. O que temos são partidos políticos de “esquerda” bem tímidos e que, na prática, fazem o papel de repressores do movimento popular, burocratizando e controlando sua expansão e radicalidade.

O que devemos ter em mente é que: após 56 anos do Golpe Militar, o golpe contrainsurgente preventivo pode estar sendo elaborado, deixando claro que qualquer sublevação (muito JUSTA, por sinal) do povo brasileiro, será sufocada pela corja militar no poder. A cadela da ditadura militar, no Brasil, está sempre no cio. E a classe dominante não vai hesitar em acioná-la quando sua posição for minimamente ameaçada.

Porém ainda mais grave é percebermos que a atual democracia em que vivemos nem mesmo precisa do tal golpe, pois ela abriga em si tranquilamente os mandos e desmandos e defesa de interesses de uma única classe social que é a dos mais ricos. Nossa democracia contempla múltiplos cenários de opressão aos mais pobres como desdobramento dessa crise, sem nem mesmo precisar passar por uma ruptura institucional. A Pauta é restrita ao que convém aos empresários; ao que se permitem conceder aos pobres quando é inevitável; ao quanto é possível adiar o pagamento de qualquer auxilio; a como tranquilizar as massas diante do abandono dia após dia; e de como conter a revolta dos pobres quando ela vier. Democracia não se restringe a liberdade de imprensa e direito a voto. Qualquer luta em favor da democracia em nosso contexto deve ser crítica, e contribuir para ampliá-la, não apenas conservá-la para continuar a oprimir.

DITADURA NUNCA MAIS!

VIVA A CONSTRUÇÃO DO PODER POPULAR!

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