Trabalhar mais e mais pela base: construção do Sindicalismo Revolucionário em Pernambuco

Trabalhar mais e mais pela base: construção do Sindicalismo Revolucionário em Pernambuco

O mundo enfrenta uma profunda crise sanitária, manifesta através da pandemia do Covid-19. Se, por um lado, a crise sanitária é resultado da expansão predatória do capitalismo, por outro, tem agravado ainda mais as crises econômica, social, política e ambiental que já vinham se fortalecendo pelo menos desde 2008. O aprofundamento da precarização geral das condições de vida do povo trabalhador já era uma realidade e, agora, começa a tomar proporções sem precedentes. Aliado a isto, cresce o número de pessoas mortas em decorrência da Covid-19, do sucateamento dos sistemas de saúde, do aumento da miséria e da violência policial.

No Brasil, o cenário descrito acima se repete e se acentua, pois a crise sanitária tem sido usada pelo grande empresariado e pelo governo de Bolsonaro, Mourão e seus ministros como oportunidade ideal para agravar o desmatamento, aplicar ainda mais medidas antipopulares, desmoralizar a população através de declarações sórdidas e criminosas, aprofundar o Estado de Exceção e a necropolítica, fortalecer o autoritarismo e preparar terreno para um possível golpe militar. Do outro lado, os movimentos e organizações ligados à classe trabalhadora encontram-se imobilizados, desarticulados e fragilizados, devido ao histórico de práticas eleitoreiras, de boicote à ação direta popular e de conciliação de classes dos partidos eleitorais e das burocracias estudantis e sindicais.

Nos últimos meses, temos presenciado o aumento do rechaço popular ao governo de Bolsonaro e Mourão, além de levantes antirracistas e antifascistas. No contexto internacional, as populações de diversos países também tem se insurgido contra o fascismo, o racismo, o imperialismo e por pautas reivindicativas. A solidariedade entre o povo também tem se manifestado neste contexto de aumento da precarização. As condições políticas são favoráveis à luta, porém o povo carece de organizações capazes de construir um movimento expressivo que empunhe uma luta que o leve à vitória. É neste sentido que iniciamos nossa filiação à Federação das Organizações Sindicalistas Revolucionárias do Brasil (FOB), compreendendo que a construção do sindicalismo revolucionário é um imperativo histórico para a emancipação do povo trabalhador.

Nós, integrantes do núcleo da FOB em Pernambuco, iniciamos nossa atuação política em 2012 e 2013, construindo coletivos, movimento estudantil, frentes populares e movimentos comunitários. Seguindo a tendência nacional, Pernambuco também teve um salto quantitativo e qualitativo de mobilizações populares no novo ciclo de lutas aberto pelos levantes de Junho de 2013. Foram construídos vários processos de luta contra o aumento de passagens, pelo direito à cidade, por moradias populares, contra as opressões (raciais, de gênero, de sexualidade etc), em defesa da educação pública, contra os arbitrariedades da Copa do Mundo 2014, em defesa da cultura e das comunidades periféricas, em defesa da saúde pública, contra a farsa eleitoral, pela construção da greve geral, entre várias outras.

Entretanto, alguns anos depois, o movimento popular independente, aqui no estado, sofre um refluxo e uma dispersão. Dentre tantas causas para este acontecimento, podemos afirmar que algumas estão ligadas à predominância do caráter ativista de alguns grupos e indivíduos, ao forte caráter centralizador de outros grupos e à ausência de algumas perspectivas teóricas. Militantes e ativistas que antes defendiam uma perspectiva combativa, independente e antieleitoral passam a se organizar em torno das narrativas e pautas petistas e eleitoreiras nos anos posteriores.

Recentemente, algumas iniciativas para reorganização do campo autônomo, combativo e antieleitoral em Pernambuco começaram a ser tomadas. É neste contexto que nos somamos ao processo de construção da FOB em Pernambuco, pois temos convicção de que, para ser vitoriosa, a luta popular precisa ser construída a partir “de baixo”, devendo romper com as amarras eleitorais, sem conciliação com a classe dominante, posicionando-se de forma intransigente contra o Estado e o capitalismo, utilizando táticas e estratégias de luta próprias do proletariado. Devemos retomar a tarefa imediata e histórica de construção e luta por um programa reivindicativo das massas exploradas e oprimidas. Neste sentido, eis algumas das contribuições militantes que pretendemos exercer:

a) Formar comitês de solidariedade popular e fortalecer as iniciativas já existentes, articulando o povo para a prática do apoio mútuo e da auto-organização na resolução dos seus próprios problemas e no socorro às pessoas em situação de maior vulnerabilidade, sempre numa perspectiva emancipatória e de construção revolucionária.

b) Fortalecer a construção das frentes populares independentes que pautem a luta de classes, através da ação direta, da democracia de base e por fora das vias eleitorais. Entendemos que as frentes populares honestas e comprometidas com a luta popular combativa cumprem um importante papel de articulação, ampliação e massificação das ações políticas.

c) Desenvolver métodos de comunicação efetivos e permanentes com o povo, indo “aonde o povo está”, aprimorando as formas de propaganda, agitação e mobilização popular, sobretudo no que diz respeito aos setores mais precarizados da classe trabalhadora.

d) Retomar a construção do Comitê Popular de Autodefesa, entendendo que é necessário construir uma perspectiva prática e teórica que rompa radicalmente com o ideário pacifista, pois este é incapaz de atender às necessidades das populações exploradas e oprimidas. A autodefesa individual e de massas é parte fundamental das lutas antidiscriminatórias, reativas, reivindicativas e revolucionárias. Através da autodefesa popular o proletariado pode obter êxito na luta por seus programas, derrotar a violência estatal-capitalista e proteger a vida das mulheres do povo, da população LGBT, do povo negro e indígena, da população pobre e periférica, dos/as estudantes do povo, dos/as trabalhadores/as do campo e da cidade.

e) Construção do Comitê “Não vote, Lute!” e do Congresso do Povo, denunciando a farsa eleitoral e construindo junto ao povo organismos de poder popular/contrapoder, através de assembleias populares por local de trabalho, estudo e moradia. Os organismos de poder popular/contrapoder são alternativas de enfrentamento ao poder burguês, meios de fortalecimento da independência de classe e exercícios revolucionários para construção do autopoder do povo trabalhador rumo ao Socialismo.

f) Desenvolver e aprimorar os trabalhos comunitários de base, organizando o povo também a partir do local de moradia através da prática da solidariedade de classe, da educação popular, da construção da autodefesa comunitária, da valorização e difusão das manifestações culturais da periferia, do trabalho cooperativo, das assembleias populares e da elaboração de programa reivindicativo.

g) Assumir o compromisso militante de trabalhar intensamente para a organização e mobilização de toda a classe trabalhadora com vistas à sua emancipação integral, com especial atenção aos grupos mais marginalizados, por vezes excluídos e hostilizados por boa parte das organizações de esquerda, são eles: trabalhadores/as subempregados/as e informais, pessoas em situação de rua, população carcerária, populações indígenas, pessoas desempregadas, população trans/travesti trabalhando na prostituição, homens e mulheres cis trabalhando na prostituição, torcidas organizadas, artistas populares, entre outros.

POR UMA GREVE GERAL INSURRECIONAL DA CLASSE TRABALHADORA!
DESPERTAR A FÚRIA REVOLUCIONÁRIA POPULAR!
PODER PARA O POVO!

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