SIGA-RJ | CHEGA DE EXTERMÍNIO: Justiça por Kathlen!

Cerca de 800 pessoas já foram assassinadas por operações policiais no RJ desde junho do ano passado.

Kathlen de Oliveira Romeu foi mais uma vítima da política de extermínio promovida por esse Estado racista e patriarcal. Ela trabalhava em dois empregos, como modelo e vendedora de roupas, tinha 24 anos e estava grávida.

Ontem, dia 8 de junho, Kathlen estava com sua avó, Dona Sayonara, na Comunidade do Lins, Zona Norte do Rio de Janeiro, quando uma operação de policiais militares da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) do Complexo do Lins teve início. Em seu relato, Dona Sayonara conta que a rua estava tranquila, mas de repente os PMs começaram os disparos. Ela tentou proteger a neta e viu que Kathlen estava ferida. A jovem foi levada para o hospital, mas não resistiu ao tiro de fuzil. No mesmo dia, a PMERJ arrancou de Dona Sayonara a sua neta e seu bisneto.

Em protesto, os moradores da Comunidade do Lins fecharam a Autoestrada Grajaú-Jacarepaguá nos dois sentidos.

No mês passado, as polícias civil e militar promoveram uma das maiores chacinas da história do Rio de Janeiro, com a execução de 28 moradores da Comunidade do Jacarezinho. Também no mês de maio a PMERJ executou dois homens na Comunidade Cidade de Deus, o mototaxista Edvaldo Viana e seu carona. Essas execuções ocorreram no mesmo local da execução em janeiro do operário de marmoraria Marcelo Guimarães.

No mês de abril as ações de extermínio foram orquestradas em várias comunidades, deixando um saldo de 9 execuções, incluindo o marceneiro Gemerson de Souza. No mês de março a chacina foi na Comunidade dos Macacos, onde 5 moradores foram executados, entre eles Valmir Cândido, operário terceirizado da Reduc. Em fevereiro a chacina ocorreu em 4 comunidades, com 10 execuções.

Considerando o período de janeiro até maio de 2021, o Instituto Fogo Cruzado registrou, na Região Metropolitana do Rio de Janeiro, 520 assassinadas com armas de fogo, em comparação com o mesmo período de 2020, quando 467 pessoas forma mortas. Um aumento de 11% das vítimas fatais.

As medidas dentro da legalidade para conter essa política racista de extermínio são inúteis, pois cerca de 800 pessoas, segundo o levantamento do Grupo de Estudos dos Novos Ilegalismos (Geni/UFF), foram assassinadas durante ações das forças policiais em favelas e periferias do Rio de Janeiro desde junho do ano passado, quando o Supremo Tribunal Federal (STF) proibiu a realização de operações policiais em comunidades, exceto em “casos excepcionais”. Ocorreram várias “excepcionalidades”, porque foram 434 ações policiais até 8 de março, ou seja, uma média de 1,5 operação por dia.

Movimentos de comunidades realizaram um ato para ontem, 09 de junho, às 16h30min, na Rua Lins de Vasconcelos: “JUSTIÇA POR KATHLEN – CPX DO LINS QUER VIVER”. No dia 11 de junho está marcado o “Segundo Ato Contra as Chacinas na Favelas”, às 17h no Palácio Guanabara, sede do governo do estado do Rio.

Para combater essa política racista e patriarcal de extermínio do povo preto, pobre e morador das favelas e periferias é necessário organizar as brigadas de autodefesa dos territórios e comunidades, resgatando as lutas históricas dos Panteras Negras. Ao mesmo tempo em que é imperativo construir uma Greve Geral Contra o Genocídio do Povo Negro!

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