Todo dia é dia das mulheres trabalhadoras!!!

Todo dia é dia das mulheres trabalhadoras!!!

Todo do dia é dia de lutar pela emancipação das mulheres

Por FOB

A impressão que nós temos é que as mulheres trabalhadoras são lembradas somente uma vez ao ano, em função do 8 de Março, no Dia Internacional das Mulheres Trabalhadoras, mas nós sabemos que a realidade é bem diferente, que nós trabalhadoras somos fundamentais para a sociedade, mas infelizmente sofremos com a exploração e a violência.

É importante lembrar que o Dia Internacional das Mulheres Trabalhadoras é uma referência as lutas históricas das nossas companheiras operárias do final do século XIX e início do século XX, em especial do papel central das operárias da cidade de Petrogrado (hoje São Petersburgo) durante a Revolução Russa de 1917, quando operárias das fábricas de tecido e mulheres familiares de soldados que lutavam na I Guerra Mundial ocuparam as ruas para exigir “Pão e Paz”. A greve das operárias foi fundamental para a Revolução Social que derrubou a ditadura czarista e iniciou um novo tempo de esperanças, igualdade e liberdade.

Nós, as mulheres brasileiras, também temos um longo histórico de lutas e resistências, desde Dandara de Palmares, símbolo da luta das mulheres negras contra a escravidão e contra o racismo. A pesar da história em geral não fazer referência às nossas lutas, nós sempre tivemos presença ativa nas lutas e nas greves operárias do Brasil após a abolição da escravatura.

1. Nossa realidade é de exploração e opressão

Durante os anos de 2021 e 2022, vivenciamos uma das maiores crises sanitárias da história com pandemia do Sars Covid 19, além dessa crise temos o Governo de Jair Messias Bolsonaro (PL) que minimizou a situação afirmando ser apenas “uma gripezinha”, desdenhando da dor das milhares de famílias que perderam seus entes queridos e do medo que a classe trabalhadora teve que passar enfrentando ônibus lotados para retornar a seus trabalhos durante a pandemia, ou como pessoas responsáveis para acompanhar os corpos mortos de nossos familiares.

Outro agravo que nós mulheres trabalhadoras vivenciamos durante essa pandemia iniciou-se ainda no ano de 2020 com o lockdown, nesse período o número de casos de violência contra a mulher cresceu muito. Houve o aumento do feminicídio (assassinato de mulheres pela sua condição de ser mulher), segundo dados da Rede de Observatório de Violência lançado em Marco de 2021 foram cinco registros de crimes contra mulheres por dia (nos estados do Ceará, Rio de Janeiro, Pernambuco, Bahia e São Paulo) onde 66% dos casos monitorados correspondiam ao feminicídio ou tentativas de feminicídio. Segundo dados da pesquisa Data Folha 4,3 milhões de mulheres sofreram violência durante o ano de 2021, com 16 anos ou mais, isso significa dizer que a cada minuto, 8 mulheres sofreram violência.

Vivemos em nosso país uma situação de grande desemprego, por um lado, e de intensas jornadas de trabalho com baixos salários, por outro. Segundo o IBGE, nós estamos sofrendo mais com o desemprego, pois no 1º trimestre de 2021 nossa taxa de desemprego atingiu a marca recorde de 17,9%. Entre os homens a taxa foi de 12,2%. Engravidar ou ter filhos pequenos ainda são obstáculos para conseguir emprego. Da mesma forma, a questão do racismo ainda é enorme, pois entre as trabalhadoras negras o desemprego é ainda maior.

Nossos salários são mais baixos do que os dos homens, enquanto no primeiro trimestre recebíamos em média 1.995,00 reais, os homens recebiam 2.574,00 reais. Quanto maior o desemprego, menor tende a ser os salários, pois os patrões se aproveitam do desespero e necessidade do povo para oferecer salários mais baixos. Assédio moral e sexual também faz parte do nosso cotidiano de trabalho, sofremos com pressões psicológicas e humilhações.

Mas a exploração econômica e opressão sobre as mulheres trabalhadoras não acaba aí. No Brasil, o tempo que nós mulheres dedicamos às tarefas domésticas é superior ao dos homens. Em 2019, de acordo com o IBGE, nós dedicávamos 21,4 horas semanais em média aos cuidados de pessoas e afazeres domésticos contra 11 horas dos homens. Essas tarefas, de cuidados com a casa (alimentação, limpeza, organização etc.) e com os filhos, são fundamentais para a reprodução da vida humana de toda a sociedade. Porém, ela é vista como se fosse obrigação natural das mulheres – e muitas vezes como tarefa exclusiva.

2. O quê fazer? Pelo que lutar? Recuperar a Memória e Semear a Esperança

Mesmo com todo esse cenário de exploração das mulheres e dos nossos companheiros, devemos saudar a todas essas mulheres que tem resistido nas linhas de frente na defesa do nosso povo pobre e trabalhador. Saudar as mulheres que fazem história, escrevendo em seus corpos a resistência contra o Estado patriarcal, racista e colonizador.

 É fácil perceber a participação feminina nas lutas por moradia nas cidades, formando vanguardas dos movimentos populares, mulheres indígenas marchando e utilizando seus corpos para fechamento de grandes vias de circulação em defesa dos territórios. Nós, mulheres, não só fazemos parte da classe trabalhadora, mas a nutrimos e a sustentamos juntamente com nossos companheiros. 

É necessário recuperar a memória das heroínas do nosso povo, como as Madres de Plaza de Mayo na Argentina, as mães do Curió, mulheres que politizam a maternidade na luta que pressiona o Estado por Justiça. As mulheres guerrilheiras de Kobane que tem entregado suas vidas em defesa de seu povo, às guerreiras que nos antecederam a luta como a indígena Tuíra, Dandara dos Palmares e tantas outras que acrescentam a memória de nossa resistência.

Nos inspirando nesse histórico de resistência e luta acreditamos que devamos criar Comitês de Autodefesa das Mulheres para discutir e organizar meios para vencer a violência e a exploração que destrói a vida das mulheres trabalhadoras. Só com auto-organização poderemos destruir o Patriarcado e o Capitalismo.

A mudança dessa situação exposta só acontecerá com nossa organização e luta pelos direitos iguais e contra a exploração capitalista e machista. Para isso, temos que organizar comitês de autodefesa e de lutas pelos direitos das mulheres nos nossos locais de trabalho, estudo e moradia.

Uma vez organizadas, lutaremos por:

– salários iguais entre homens e mulheres;

– licença parental remunerada por tempo igualitário de seis meses para homens e mulheres;

– expansão da rede pública de creches com funcionamento em horário integral, incluindo o noturno para atender quem estuda ou trabalha de noite, com trabalhadores concursados, infraestrutura adequada e projeto pedagógico baseado nos princípios “educar, cuidar e brincar”;

– criação de fundo público para remuneração salarial de trabalho doméstico de mulheres da classe trabalhadora;

– fim dos assédios morais e sexuais nos locais de trabalho e estudo;

– legalização do aborto e acesso gratuito pelo SUS em todas as unidades hospitalares capacitados;

– fim da violência obstetrícia;

– fim de todas as violências físicas e psicológicas.

Por um 8 de Março de luta!

Pela Vida das Mulheres!

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