SIGA-SP | Não vote, lute!

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Construa o Congresso do Povo!

Após um governo desastroso de Bolsonaro/Mourão, em um cenário de alta da miséria, fome, desemprego, milhões de mortes por COVID-19, resultado da gestão nefasta da Pandemia, se aproxima mais um circo eleitoral neste ano.

Desde o primeiro momento a esquerda reformista deu o recado de como seria sua posição durante o governo Bolsonaro, pressão apenas parlamentar e com manifestações pontuais apenas para impulsionar a disputa dentro do Estado, nada de efetivo foi realizado como oposição ao governo, nenhum plano de luta posto em prática.

A política de Lula e PT durante o governo Bolsonaro foi de banho maria, focando em um desgaste apenas midiático para neste ano lançar a si próprio como único redentor dos males bolsonaristas.

Dois elementos são fundamentais para uma posição correta sobre o próximo período, e, em especial, para as próximas eleições:

1 – O direcionamento político de qualquer sujeito que seja eleito na próxima eleição, depende quase exclusivamente de como a burguesia irá se reorganizar para salvar seus lucros no período de crise, logo, quem for eleito terá pouca ou nenhuma margem de ação, as decisões dependeram ainda mais dos ditames imperialistas em contrapartida às ideologias e posicionamentos de qualquer candidato. Assim, a burguesia irá escolher como seu candidato, não aquele que concorda politicamente com ela, mas aquele com mais capacidade política de articular o programa burguês.

2 – A tática de Lula e PT para essa eleição é a mesma que em 2018, levar Bolsonaro para o segundo turno, como oponente ideal para a narrativa de ‘retorno heróico’ de Lula, ou seja, o PT faz questão de alimentar a polarização Lula versus Bolsonaro. Essa polarização leva ao recuo político das forças da esquerda reformista (PSOL, PCB, PSTU, etc.) que vão aderindo gradualmente como no caso do PCB e PSTU, ou de antemão como no caso do PSOL ao projeto lulista, assim há o abandono de qualquer processo político crítico e de politização com a classe trabalhadora, em favorecimento do rebaixamento do debate em torno de um desespero eleitoral.

Um ponto importante a ressaltar em relação a essa polarização que o PT projeta como ideal para o cenário eleitoral é que, conforme a polarização aumenta, aumenta também o abstencionismo eleitoral, crescente a cada eleição. Então, para rebaixar o programa eleitoral de outras forças de esquerda a polarização tem sido eficaz para o PT, mas o abstencionismo é um efeito colateral tanto para o PT como também para o bolsonarismo.

Dessa forma, tanto em relação a questão econômica, como na questão política, é possível ter um prelúdio do que vem pela frente nessa eleição e para os próximos 4 anos, um governo altamente controlado e subserviente ao programa da burguesia, sem margem alguma de manobra e completamente refém do ‘Centrão’ no congresso, e seja lá quem ganhe, emplacará um programa de recuperação do lucro burguês as custas da miséria do povo.

Nesse sentido qualquer força política que endosse o discurso de defesa da participação eleitoral do TSE, está na contramão de realizar uma oposição real, e ainda mais distante de um projeto de revolução socialista. Se omitir do processo é abdicar de um momento de efervescência do debate e ignorar as ideias e posições dos trabalhadores, é se acovardar diante das burocracias sindicais e partidos reformistas.

É importante pontuar que conforme podemos observar em todas as eleições desde 2013, o “não voto” (Abstenções + nulos + brancos) vem crescendo cada vez mais em relação ao período eleitoral anterior. Deste simples fato não podemos tirar muitas conclusões, mas podemos afirmar que uma enorme parcela da população, não vota, pelos mais variados motivos. Isso é um indicativo do apodrecimento acelerado do sistema eleitoral brasileiro e inclusive do próprio Estado e capitalismo brasileiro.

Assim, defender a participação eleitoral, é defender a manutenção do capitalismo brasileiro. Por isso, nós do SIGA-SP/FOB chamamos a todas as forças políticas, organizações, sindicatos, partidos, movimentos e militantes em geral a construir nesse ano em São Paulo, uma grande campanha de “não voto”. Que longe de rebaixar o debate político no seio da classe trabalhadora, realize um debate consequente e fomente a discussão e organização em contraponto a farsa eleitoral.

Que possamos dar direção a justa rejeição que o povo demonstra diante das instituições apodrecidas do capitalismo brasileiro. Que possamos transformar essa rejeição em luta por salários, moradia, emprego, transporte e contra a fome!

NÃO VOTE, LUTE!

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