Por FOB
O que começou como uma reação popular contra a polêmica Lei 1.720 — que ameaçava a propriedade de terras de comunidades indígenas e camponesas — converteu-se em uma mobilização de massas que unificou indígenas, camponeses, mineiros e a classe trabalhadora urbana da Bolívia. Nem o recuo tático do governo com a revogação da lei foi suficiente para desmobilizar as ruas: o povo boliviano aprofundou suas exigências.A greve geral por tempo indeterminado, convocada pela Central Operária Boliviana (COB), pela Confederação Sindical Única de Trabalhadores Camponeses da Bolívia (CSUTCB) e por diversas organizações sindicais, paralisa o país com dezenas de pontos de bloqueio. Camponeses aimarás de 29 províncias reforçam o cerco às principais cidades do altiplano, enquanto trabalhadores de setores estratégicos aderem à paralisação. As raízes da revolta são estruturais. O governo de Rodrigo Paz eliminou subsídios aos combustíveis e abriu caminho para a entrega de recursos estratégicos ao capital privado, nacional e estrangeiro, através do Decreto Supremo 5503 — imposto sem diálogo real com os setores sociais. A COB denuncia ainda a repressão policial e as detenções de lideranças durante os protestos, e exige reajuste salarial de 20% frente à inflação e ao desabastecimento que corrói a vida do povo trabalhador. O governo respondeu à mobilização com repressão policial, prisões arbitrárias e ações intimidatórias, incluindo a invasão da sede da COB por forças de segurança. Ao menos doze manifestantes foram detidos em um único dia, e um professor universitário foi hospitalizado após ser ferido por um cartucho de gás. Ao mesmo tempo, o governo tenta criminalizar o movimento acusando dirigentes, sem provas, de financiamento pelo narcotráfico. Conhecemos bem essa cartilha: é a linguagem de quem não tem argumento diante do povo organizado.A Federação das Organizações de Base (FOB) expressa sua solidariedade integral às trabalhadoras e trabalhadores bolivianos em luta. O que acontece na Bolívia não é um episódio isolado: é mais um capítulo da ofensiva neoliberal que percorre todo o continente, impondo ajuste fiscal, privatização dos recursos naturais e arrocho salarial às custas de quem trabalha. Indígenas, camponeses e operários bolivianos respondem com a única linguagem que o capital compreende — a paralisação direta da produção e a ocupação do espaço público.Saudamos especialmente a convergência entre o sindicalismo urbano e os movimentos camponeses e indígenas nessa luta. Os bloqueios de estradas demonstram o poder concreto da ação direta: ao inviabilizar o abastecimento de La Paz, o povo organizado obriga o governo a sentar e negociar. É a ação direta — não a súplica parlamentar — que move montanhas.Reafirmamos nossa perspectiva: a luta dos trabalhadores bolivianos é a luta de todas as classes trabalhadoras da América Latina. O internacionalismo não é retórica — é a consciência de que o mesmo inimigo de classe que espoliou as minas de estanho, as terras dos povos originários e os salários dos professores bolivianos é o mesmo que precariza, privatiza e reprime aqui no Brasil.
Pela libertação imediata de todas as lideranças detidas!
Pela derrota do pacote neoliberal de Rodrigo Paz!
Solidariedade à COB, à CSUTCB e ao povo boliviano em greve!
A luta dos trabalhadores não tem fronteiras
