Por Coordenação Nacional
O golpe empresarial militar de 1964, apresentado por seus defensores como uma “revolução” necessária para conter o “comunismo”, foi, na realidade, um movimento autoritário que atacou a pouca liberdade e os direitos da classe trabalhadora brasileira e instaurou uma ditadura de 21 anos que prejudicou principalmente camponeses, trabalhadoras e trabalhadores. Sob a justificativa de combater uma suposta ameaça socialista, o regime militar consolidou um projeto de exclusão social, repressão política e alinhamento com interesses estrangeiros, especialmente dos Estados Unidos . A resistência a esse sistema, no entanto, não se limitou às elites políticas e suas disputas parlamentares: nasceu nas ruas, nas organizações de base e nas guerrilhas urbanas e rurais, protagonizadas por grupos revolucionários que buscavam derrubar o regime através da luta armada.
A Luta Armada Revolucionária: Estratégias e Desafios
Inspirados pela Revolução Cubana e pela Revolução Chinesa, organizações como a Ação Libertadora Nacional (ALN) e VAR-Palmares adotaram táticas de guerrilha urbana e rural entre 1968 e 1975. Seus métodos incluíam assaltos a bancos para financiamento, sequestros de diplomatas para troca por presos políticos e tentativas de estabelecer focos revolucionários no campo, como a Guerrilha do Araguaia.
Contudo, a repressão do Estado foi brutal. Incorporando métodos de tortura da luta contrarrevolucionária usados por franceses e americanos. A tortura passou a ser sistemática, os desaparecimentos forçados e a criação de aparatos de inteligência (como o DOI-CODI) desarticularam esses grupos. Apesar do heroísmo, a luta armada de orientação foquista em sua maioria não conseguiu ampliar a luta popular, agravado pela campanha de desinformação da ditadura.
Apesar da repressão, bases de grupos como da teologia da libertação, Var-palmares e Polop mantiveram trabalho no interior dos sindicatos, movimento populares e estudantis que floresceram no final dos anos 70 com as rebeliões camponesas e operárias.
A Ditadura como Projeto de Extermínio e sua Herança
A violência estatal não se limitou aos militantes políticos. Desde o golpe, o regime militar implementou uma política de controle social que atingia especialmente as periferias e o campo. A Lei de Segurança Nacional e o AI-5 (1968) legitimaram a perseguição a qualquer forma de dissidência, incluindo sindicalistas, estudantes, movimento negro, indígenas e comunidades pobres . Essa estrutura repressiva, porém, não desapareceu com a redemocratização.
Nas favelas, alagados e zonas rurais, a violência policial continua a ceifar vidas, principalmente de jovens negros. Dados do Atlas da Violência (2020) revelam que 70% das vítimas de homicídio no Brasil são negras, com taxas comparáveis a países em guerra. Casos como o de Ágatha Vitória (8 anos), morta por um PM no Complexo do Alemão, João Pedro Matos (14 anos) executado durante uma operação no Rio, e mais recentemente os jovens Kelvin e Wender, do bairro do Bratac, zona oeste de Londrina ilustram a necropolítica denunciada pelo movimento negro já nos anos 1970: um Estado que decide quem vive e quem morre com base em raça e classe.
A Federação das Organizações de Base e a Resistência Contemporânea
Organizações como a Federação das Organizações de Base (Luta FOB) emergem como herdeiras dessa tradição de resistência. Atuando nas periferias, elas denunciam a continuidade do racismo estrutural e da violência policial, agora mascarados sob a retórica da “guerra às drogas” ou da “segurança pública”. A criminalização da pobreza, a militarização de territórios e o extermínio da juventude negra são faces de um mesmo projeto iniciado em 1964: a manutenção de um Estado que protege classe dominante e oprime as trabalhadoras e trabalhadores, povos do campo e da floresta.
A luta atual inclui ocupações urbanas, greves e mobilizações por direitos básicos
Como destacou o ex-guerrilheiro Anton Fon Filho, a repressão atual — como as prisões arbitrárias em protestos — ecoa os métodos da ditadura, revelando que a suposta a democracia brasileira ainda carrega vícios autoritários.
Conclusão: Do Passado ao Presente, a Luta por Memória e Justiça
O golpe de 1964 não foi um evento isolado, mas parte de uma estrutura de poder que perpetua desigualdades. Enquanto o Estado celebra “conquistas” da ditadura, como o “milagre econômico” (que concentrou renda e ampliou dívidas externas), comunidades periféricas seguem sendo alvo de um genocídio silencioso. É preciso recuperar o legado de resistência da luta armada adotando as estratégias e métodos do sindicalismo revolucionário construção de uma sociedade socialista com base na autogoverno das trabalhadoras e trabalhadores, avançando na construção da autodefesa popular.
- Contra a violência no campo e na cidade!
- Pelo fim da polícia!
- Combater o racismo institucional!
- Reforma agrária e urbana!
Não esquecemos, nem perdoamos!