Por Comitê Sindicalista Revolucionário do Pará (Pró-FOB)
O Comitê Sindicalista Revolucionária do Pará (CSR-Pa) também encampa a luta contra a Derrocagem do Pedral do São Lourenço. Por isso endossa a NOTA DE REPÚDIO ÀS DECLARAÇÕES DO GOVERNADOR HELDER BARBALHO EM DEFESA DA DERROCAGEM DO PEDRAL DO LOURENÇO. A hidrovia que Araguaia-Tocantins tem mais uma vez o objetivo de atender os interesses do agronegócio e das grandes players multinacionais do setor.
Publicamos logo em seguida a nota de repúdio escrita pelo Coletivo COP do Povo.
O Coletivo COP do Povo, veementemente contrário à derrocagem do Pedral do Lourenço em razão dos graves impactos socioambientais que esta intervenção trará, vem a público expressar sua indignação diante das declarações do Governador do Estado do Pará, Helder Barbalho, divulgadas no sábado (16/08) e reiteradas em matéria jornalística no dia 17.
Em seu pronunciamento, o governador atacou a Audiência Pública realizada pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), em Marabá (PA), que teve como pauta a Consulta Pública para a criação da Área de Proteção Ambiental Paleocanal do Rio Tocantins. De forma desrespeitosa, Helder Barbalho acusou o processo democrático de tentar inviabilizar a derrocagem do Pedral do Lourenço e a construção da Hidrovia Araguaia-Tocantins.
Tal posicionamento é inaceitável. Audiências públicas são espaços garantidos em lei para assegurar que povos indígenas, comunidades tradicionais e populações locais, diretamente afetadas por grandes empreendimentos, possam se manifestar, levantar suas preocupações e reivindicar seus direitos. Ao atacar esse processo, o governador fere a democracia e reproduz práticas autoritárias que negam o contraditório e tentam silenciar vozes críticas.
Reiteramos que a Audiência Pública conduzida pelo ICMBio não se destinou a obstruir obras, mas a discutir a criação de uma Unidade de Conservação, conforme os trâmites técnicos e legais. Ao distorcer esse propósito e atacar pesquisadores, instituições e trabalhadores públicos, Helder Barbalho utiliza-se da desinformação como ferramenta política para manipular a opinião pública e constranger aqueles que cumprem sua função institucional.
É grave que, em pleno ano da COP-30, o governador do Pará se coloque contra a criação de áreas de proteção ambiental e, simultaneamente, defenda a explosão de um rio na Amazônia. Sua postura revela não um compromisso com a preservação da floresta e a defesa dos povos amazônicos, mas sim com os interesses do agronegócio, da mineração e de grupos econômicos que historicamente exploram o território em detrimento da vida e da justiça socioambiental.
As comunidades que vivem às margens do Rio Tocantins vêm denunciando reiteradamente os impactos da Hidrovia Araguaia-Tocantins e reivindicando o direito à consulta livre, prévia e informada, previsto na Convenção 169 da OIT. O Ministério Público Federal já reconheceu as irregularidades do licenciamento e, a pedido do MPF, a Justiça Federal suspendeu a licença emitida pelo IBAMA em maio de 2025, justamente pela ausência de consulta às populações e pela insuficiência dos estudos ambientais, sobretudo sobre a pesca artesanal, atividade vital para a subsistência de milhares de famílias.
Diante disso, repudiamos veementemente as declarações de Helder Barbalho. Ao atacar uma audiência pública legítima, o governador mostra-se contrário ao diálogo democrático e aliado de um modelo de desenvolvimento ultrapassado, que privilegia elites econômicas e impõe miséria e incertezas ao povo do Pará.
O Coletivo COP do Povo reafirma sua posição contrária à derrocagem do Pedral do Lourenço e se mantém firme na defesa da Amazônia, de suas águas e de seus povos. Defender a vida, os territórios e a justiça socioambiental é um compromisso inegociável.
