8 de Março: Contra a Escala 6×1 – Por mais tempo e vida!

8 de Março: Contra a Escala 6×1 – Por mais tempo e vida!

Por CN – FOB

O 8 de março é uma data de reconhecimento das mulheres. Mas não de um mero dia, e sim para todo o ano. Para o sindicalismo revolucionário, não é uma data para flores ou parabéns institucionais. É um dia de luta, memória e ofensiva contra o sistema que explora duplamente a mulher trabalhadora: na fábrica, no escritório, no balcão – e em casa, no trabalho doméstico não pago. Como temos afirmado, a emancipação da classe trabalhadora só virá com a destruição do capitalismo e do patriarcado com a construção de uma sociedade baseada na autogestão social. E, para isso, precisamos de tempo – tempo para se organizar, estudar, lutar e viver. O fim da escravidão moderna da escala 6×1 é, portanto, uma pauta central da agenda das  mulheres e classista.

A FOB e a Luta Contra a Escala 6×1

A escala 6×1 é a síntese perversa da opressão e exploração capitalista. O capital não quer apenas nossos braços por oito, dez ou doze horas. Ele quer nossa mente, nosso tempo, nossa vida inteira. E quando sobra apenas um dia na semana para “descansar”, é sobre as mulheres que recai, majoritariamente, o fardo de limpar, cozinhar, cuidar dos filhos e dos idosos. É uma vida sem tempo para si, sem tempo para a comunidade, sem tempo para a luta.

Federação das Organizações de Base (FOB) , em sua atuação nos bairros, ocupações e locais de trabalho, sabe que a precarização da vida não é um acidente, mas uma política de classe. A escala 6×1 é a materialização do que a FOB denuncia: o capitalismo não oferece futuro, apenas exaustão e miséria. A luta por sua extinção se conecta diretamente com a construção do autogoverno das trabalhadoras e trabalhadores.

A FOB atua na organização de trabalhadores e trabalhadoras precarizados, nos correios, nos entregadores por aplicativo, na saúde e na educação. Sabemos que a reforma trabalhista e as “modernizações” legais só serviram para aprofundar a exploração. Por isso, a luta pelo fim da 6×1 não pode ser uma pauta institucional vazia, meramente eleitoral, disputada por pelegos e políticos profissionais. Ela precisa ser uma bandeira construída de baixo para cima, com assembleias de base, mobilização direta e greves.

O patronato já se articula para sabotar qualquer avanço. O governo Lula quer fazer campanha eleitoral sobre a pauta, mas não compra a briga até o fim, e troca favores com centrão.  Como denunciam as camaradas a FIESP e o Centrão preparam o “jabuti” legislativo: aprovar uma escala 5×2 que mantenha as 44 horas semanais, simplesmente espremendo a exaustão em menos dias. Isso não é vitória, é maquiagem. Por isso, a FOB defende que qualquer redução de jornada deve ser:

  • 30 horas semanais (4×3), Sem redução de salários (a produtividade aumentou, quem deve pagar a conta são os patrões);
  • Universal, e não por acordo individual ou negociação por categoria fragilizada (a lei deve valer para todos, protegendo os setores mais desorganizados);
  • Pelo direito ao tempo livre para organizar a luta e a vida!

Fora com o patriarcado e o capital! Pelo autogoverno das trabalhadoras e trabalhadores. Como diz a FOB, a revolução não será delegada. Será construída com nossas mãos, nossa mente e nosso tempo. E para isso, precisamos de uma vida inteira pela frente. Nem um dia a mais de escravidão!

Nenhuma trabalhadora a menos! Todas pela vida e pelo tempo!

8 de Março: Contra a Violência que Mata e Explora – Uma Perspectiva da FOB

A violência contra a mulher no Brasil não é fruto de “descontrole emocional” ou de “casos isolados”. É a expressão brutal do machismo estruturante de uma sociedade capitalista e patriarcal, que precisa do corpo e da vida das mulheres como território de exploração e controle, que produz uma masculinidade que odeia as mulheres e as mata.

A Estatística que Sangra: Feminicídio como Projeto de Classe

Os números não mentem. Em 2025, o Brasil registrou o maior número de feminicídios desde a tipificação da lei, com mais de 1.500 mulheres assassinadas – quatro por dia.

A violência contra a mulher começa muito antes do tiro ou do golpe. Começa na divisão sexual do trabalho, que joga sobre as mulheres o fardo do cuidado não pago. Começa no assédio diário no transporte público, no balcão da fábrica, na rua. Começa na escala 6×1, que exausta a trabalhadora e a prende num ciclo de dependência econômica e emocional do agressor. Começa na proibição do aborto, que condena milhares de mulheres à morte em clínicas clandestinas.

O capitalismo adora o machismo. Porque a mulher violentada, isolada, sem autoestima e sem rede, é mais fácil de ser explorada. É mais fácil de aceitar o salário menor, a jornada dupla, o assédio do patrão. É mais fácil de não se organizar, de não ir à assembleia, de não ocupar a rua. A violência doméstica é, portanto, uma ferramenta de controle de classe.

FOB: Organização de Base para Romper o Ciclo

Diante disso, não bastam leis, embora as denunciemos como insuficientes. A Lei Maria da Penha completa 20 anos em 2026 e, sozinha, não impediu o recorde de mortes . Não bastam campanhas institucionais. Precisamos de organização popular nos territórios, nos bairros, nas fábricas, nas escolas.

A FOB atua na construção do poder popular e da autogestão social. Sabemos que a mulher só se libertará da violência quando tiver:

  • Tempo para viver (fim da escala 6×1);
  • Trabalho digno e salário igual;
  • Moradia, creche, saúde pública de qualidade;
  • Rede de apoio comunitária, com vizinhas organizadas, grupos de mulheres, mutirões de cuidado;
  • Autodefesa e autonomia, para não depender de marido, pai ou Estado.

A violência contra a mulher só acabará quando acabar o capitalismo e o patriarcado. E isso não virá de cima para baixo. Virá da organização das próprias mulheres trabalhadoras, nas bases, construindo novas formas de viver, amar e lutar.

Neste 8 de Março, a FOB Convoca:

  • Lutar contra a escala 6×1, porque tempo livre é condição para autonomia;
  • Denunciar o Estado omisso e assassino, que mata por ação e omissão;
  • Organizar a resistência nos bairros e locais de trabalho;
  • Construir o feminismo classista e revolucionário, que não separa a luta contra o machismo da luta contra a exploração.

Pela vida das mulheres! Pelo fim da violência! Contra o capital e o patriarcado! Pela autogestão social da sociedade!

Nenhuma a menos! Todas pela organização de base!

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