Depois do Breque, Acelerar a organização!

Há poucos dias, a mobilização dos entregadores de aplicativos chamou a atenção no Brasil todo. O Breque dos APPs foi organizado em torno de reivindicações por melhores condições de trabalho para essa categoria, como aumento das tarifas pagas, fim dos bloqueios indevidos nas plataformas, segurança contra roubos e acidentes, oferta de EPIs e auxílio em caso de contaminação por Covid-19.

Muitos desses profissionais dirigem ou pedalam por muitas horas, sem pausa e sem ter locais fixos para ir ao banheiro, carregar o celular que usam para o trabalho e até mesmo com fome (e carregando comida nas costas!). Não faltam motivos para lutar por melhorias.

No dia 1 de julho, em várias cidades do Brasil e até em outros países (como Argentina, México, Costa Rica), os manifestantes desligaram seus aplicativos e percorreram as ruas, shoppings, supermercados e restaurantes divulgando suas reivindicações. Diversas outras categorias demonstraram seu apoio a eles.

Foram formados vários grupos de entregadores, alguns mais estruturados, outros mais temporários e informais. Mas essa organização não começou na véspera do dia 1º de julho. No Brasil e em vários outros países, os entregadores estão se organizando por conta própria para se ajudarem entre si e combater suas péssimas condições de trabalho e conquistar mais direitos.

Por meio de contatos virtuais, um grupo paulista chamado Treta no Trampo lançou o chamado para a paralisação nacional, e esse chamado deu início a união de muitos esforços para a construção do Breque. Os entregadores estão compreendendo que para conquistar aquilo que precisam, é necessário organizar grandes iniciativas, e principalmente atacar naquilo que dá prejuízo às empresas-aplicativos. Eles também sabem que o dia 1º foi importante, como uma iniciativa independente e altamente bem-sucedida, que teve enorme apoio popular e visibilidade, colocou em foco a situação desses trabalhadores e pressionou as empresas para responder, mesmo que seja inventando mentiras.

Essa grande visibilidade fez com que muitos partidos e sindicatos se aproximassem desses novos grupos de trabalhadores. Uma parte destes partidos e sindicatos se aproximam com a intenção de dirigir o movimento, de ditar o que se deve ou não fazer. Não é por acaso que muitos trabalhadores acabam rejeitando os sindicatos e partidos. Não é o papel de outras categorias dirigir a luta dos entregadores, o maior apoio que os sindicatos de outras categorias pode dar para a luta é paralisar sua própria categoria junto com os entregadores, é fazer greve de solidariedade. A força dos trabalhadores está na sua capacidade de brecar tudo!

Para isso é preciso se organizar. É preciso se organizar enquanto categoria, como entregador de aplicativo, mas também como trabalhadores em geral, junto aos motoristas de aplicativos, atendentes de restaurantes e supermercados, garçons, etc. Depois do breque, é preciso acelerar a organização, pois só organizados conquistamos vitórias!

#BrequedosAPP

#sindicalismorevolucionario

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