é dia de luta por um novo mundo!
Memória e Combate
Em 1886, em Chicago, operárias e operários pararam as fábricas, foram às ruas e pagaram com sangue pela jornada de oito horas. Foram enforcados. Foram massacrados. E venceram. O 1º de Maio nasceu desse chão de pólvora e breu — não do palanque de ministros, não do patrocínio de multinacional, não da marcha que termina em bolo e discurso de candidato.
Nós, trabalhadoras e trabalhadores organizados na FOB — Federação das Organizações de Base, herdeiras do sindicalismo revolucionário que forjou a classe trabalhadora brasileira —, retomamos esse 1º de Maio como o que ele sempre foi: um campo de batalha.
A escravidão do nosso tempo
A escala 6×1 é sequestro de vida.
Não pedimos favores ao Estado. Não aguardamos salvadores eleitos. Construímos poder a partir da base: no local de trabalho, no bairro, na terra, na rua. É da ação direta, da organização horizontal e da solidariedade de classe que vem a transformação real.
Seis dias trabalhando por um de descanso. Para quem? Para quem vive de salário mínimo, para quem serve mesa, limpa hospital, empurra carrinho, carrega encomenda — para a maior parte da classe trabalhadora brasileira, especialmente para mulheres negras, que somam os dois piores extremos do mercado de trabalho: a superexploração econômica e o peso do trabalho doméstico não pago.
A escala 6×1 não é acidente — é uma máquina que combina tempo de trabalho formal + trabalho em casa invisível para extrair o máximo de quem menos tem. A trabalhadora que sai às 22h do turno ainda vai chegar em casa e encontrar filhos para cuidar, comida para fazer, casa para limpar. O capital não paga por nada disso.
O ubuntu — eu sou porque nós somos — diz que nenhuma comunidade prospera quando seus membros não têm tempo de existir. O sumak kawsay andino, o bem-viver, afirma que uma vida digna exige tempo: tempo para a terra, para os filhos, para a festa, para a luta, para o descanso. A escala 6×1 nega tudo isso. O capitalismo nos impede de viver.
Programa Mínimo da Classe
Três Bandeiras. Uma Só Luta
30 Horas semanais sem redução salarial. Menos tempo para o capital, mais tempo para a vida. Distribuição do trabalho entre todos. Fim da jornada assassina da escala 6×1.
TERRA e LIBERDADE. Terra para quem nela trabalha. Desconcentração fundiária. Território como base da autonomia popular e da soberania alimentar.
Fim da violência contra o povo negro. O Estado mata quem é negro e pobre. Fim do genocídio, desmilitarização das periferias, justiça já.
Essas três demandas não são separadas. São faces de um mesmo sistema. O mesmo capitalismo que concentra a terra nas mãos de 1% é o mesmo que mantém a escala 6×1 e o mesmo que arma as polícias para proteger essa ordem. A luta é uma só !
Lutar da Mulher Trabalhadora
Quando a terra e o tempo são da mulher negra, tudo muda.
A opressão de raça e de gênero esta totalmente ligada a exploração de classe. A mulher negra está no centro de tudo: é ela que sustenta a família na ausência do companheiro assassinado pela polícia ou encarcerado; é ela que trabalha dois turnos — o formal-informal e o doméstico.
O trabalho reprodutivo — cozinhar, limpar casa, parir, cuidar, educar — é a fundação invisível sobre a qual repousa todo o capitalismo. E no Brasil, esse trabalho tem cor. Por isso, quando falamos em fim da escala 6×1 e em reforma agrária (terra e liberdade) , estamos falando diretamente com as mulheres negras e para elas:
- Fim da escala 6×1significa tempo: para dormir, para amamentar, para estudar, para se organizar politicamente, para existir além da sobrevivência.
- Redução da jornada para 30 horassignifica que o trabalho doméstico pode ser redistribuído — dentro da família, dentro da comunidade — porque haverá tempo sobrando para todos e todas.
- Reforma agráriasignifica que a mulher trabalhadora rural deixa de ser meeira na terra do patrão e se torna sujeito soberana sobre o próprio sustento. Significa horta, semente, território, autonomia.
- Terra e autonomia alimentarrompem a dependência do mercado formal — aquele mesmo mercado que só oferece empregos de 6×1, terceirizados, sem direitos, sem futuro.
- Fim da violência policials ignifica que a mãe negra não precisa mais sair toda manhã sem saber se o filho volta. Significa que o medo para de ser o clima constante da casa, do bairro, da vida
Terra, território, autonomia
A terra não pertence a quem tem papel. Pertence a quem a trabalha.
O Brasil é o país da maior concentração fundiária do planeta. Enquanto menos de 1% dos proprietários controlam quase metade das terras agricultáveis, famílias inteiras vivem como sem-terra, meeiras, colonas, bóias-frias — extraindo com o próprio corpo a riqueza que vai direto para as tradings internacionais e para os silos do agronegócio exportador.
A reforma agrária, terra e liberdade, não é romantismo. É estratégia de classe. Terra distribuída é poder distribuído — é soberania alimentar, é autonomia das comunidades, é a base material sem a qual qualquer conversa sobre liberdade é discurso vazio.
Os povos originários e as comunidades quilombolas nos ensinam que a terra não é mercadoria — é território vivo, é relação entre seres humanos e natureza, é memória coletiva. O movimento zapatista, os sem-terra, os camponeses organizados pelo mundo afora sabem disso com as mãos: quem tem terra tem futuro; quem perde a terra perde tudo.
Não lutamos por reforma agrária como concessão do Estado. Lutamos por ela como parte da luta contra o mesmo sistema que impõe a escala 6×1 na cidade e o trabalho semiescravo no campo.
Genocídio do Povo Negro
O Fascismo Sempre Esteve Presente nas Favelas e Periferias. O Estado mata. A classe trabalhadora sabe disso.
Em 2023, o Brasil executou extrajudicialmente mais de 6.000 pessoas — a maioria jovens negros das periferias. Não foram acidentes. Foram operações. Foram “incursões policiais”. Foram o Estado protegendo o que sempre protegeu: a propriedade, a ordem, o lucro.
O sindicalismo revolucionário sempre soube que o Estado não é neutro — é o braço armado da classe dominante. A história do movimento operário e camponês brasileiro é também a história de sindicalistas fuzilados, de lideranças negras e indígenas assassinadas, de greves quebradas à bala. De Canudos a Eldorado dos Carajás, de Marighella a Marielle Franco, o Estado escolheu seus inimigos com consistência: sempre os mesmos. Sempre o povo trabalhador, negro, pobre, organizado.
Por isso não separamos segurança pública de luta de classes. Por isso não separamos antirracismo de sindicalismo. A classe trabalhadora brasileira é majoritariamente negra — e qualquer projeto de emancipação que não parta daí é mentira.
Organize-se. Lute. Construa o autogoverno do povo .
A transformação não vem de cima. Não vem de eleição. Não vem de decreto. Vem da organização de base, da ação direta, da solidariedade entre quem trabalha e luta. Venha construir conosco.
