Corpos silenciados, vozes presentes: A violência no olhar das Mulheres Kaiowá e Guarani – Hete kirirîm ayvu jekaa tekovai, kuñangue

Corpos silenciados, vozes presentes: A violência no olhar das Mulheres Kaiowá e Guarani – Hete kirirîm ayvu jekaa tekovai, kuñangue

Por Federação das Organizações Sindicalistas Revolucionárias do Brasil – Núcleo Mato Grosso do Sul/FOB-MS

O Núcleo da Federação das Organizações Sindicalistas Revolucionáras do Brasil do estado do Mato Grosso do Sul (FOB-MS) divulga o relatório “Corpos silenciados, vozes presentes: A violência no olhar das Mulheres Kaiowá e Guarani – Hete kirirîm ayvu jekaa tekovai, kuñangue”, lançado durante a Grande Assembleia de Mulheres Kaiowa e Guarani – Kunangue Aty Guasu.

Todos os dias, nós mulheres Kaiowa e Guarani, somos silenciadas, invisibilizadas e violentadas pelo estado brasileiro e por nossos parentes em nossos Tekohas. A  Kunangue Aty Guasu (Grande Assembleia de Mulheres Kaiowa e Guarani) lançou no dia 29 de novembro de 2020, em Audiência Pública, em nossa assembleia online o resumo do relatório: Corpos silenciados, vozes presentes: A violência no olhar das Mulheres Kaiowá e Guarani – Hete kirirîm ayvu jekaa tekovai, kuñangue. 
O relatório da violência contra as nossas vidas escrito por nós, aborda as diversas formas de violências, que ocorrem, contra nós Mulheres indígenas Kaiowá e Guarani, localizadas no Cone Sul do estado de Mato Grosso Do Sul, centro oeste do Brasil. 
Em resumo, afirmamos que as tantas práticas de violências, presentes nas comunidades e em tantos espaços fora dos territórios indígenas Kaiowá e Guarani contra as mulheres indígenas, vem de uma lógica colonial violenta, de desprezo e racismo enraizada e praticada pelo estado brasileiro por decadas e decadas. Não tem dados concretos/atualizados sobre as mulheres da nossa comunidade vítimas de violência,  no sistema do estado brasileiro. 
Hoje cada vez mais ganham forças, as políticas anti-indígenas de extermínio contra nossos corpos.  A justiça da elite Karai (não indigena) julga e encarcera as mulheres indígenas, sem ao menos se preocupar se estamos entendendo o que está acontecendo.  
Em Mato Grosso Do Sul, estamos exilados em nossas próprias terras, mulheres Kaiowa e Guarani seguem sofrendo todos os tipos de violações do estado e de parentes da comunidade, em sua maioria homens. O machismo, as ameaças, perseguições, etc são uma das formas de abafar as nossas vozes.
Durante as coletas de informações,  ocorreram diversas violencias contra mulheres Guarani e kaiowá no cone sul, bem como tortura psicologica, violência fisica, preconceitos, humilhação, violência patrimonial, ameaças de mortes, assasinatos de lideres mulheres  promovidas pelos seus maridos, namorados, pelo equipe de capitão, pela policias, pelas instuicões públicas e pela universidade. 
A nossa luta infelizmente teve que seguir os moldes Karai, hoje temos que dialogar com o estado através de documentos, precisamos escrever na língua Karai. Dessa forma mapear e indexar um banco de dados específico das lutas das lideranças mulheres através de tecnologia apropriada, servirão de base para realização dos apoios às demandas das mulheres, e sobretudo para a realização de denúncias consistentes de violências contra as mulheres indígenas.
O  relatório completo, será disponibilizado em 2021, em nossa página. 


Kunangue Aty Guasu – Grande Assembleia Das Mulheres Kaiowa e Guarani.

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