[ORC-CE] BOLETIM SET/OUT – AS ELEIÇÕES BURGUESAS ATRAPALHAM A EDUCAÇÃO: NEM CONCURSO NEM CONTRATAÇÃO!

SEM CONTRATAÇÃO EMERGENCIAL, A EDUCAÇÃO SOFRE!

Em meio ao período das eleições burguesas onde somos convocados uma vez a cada dois anos para escolher nossos algozes, a educação do estado do Ceará sofre. Com o último concurso sendo realizado em 2018, a  carência de professores é sanada com contratação temporária. No entanto, devido ao período eleitoral, o governo está impossibilitado de realizar contratações. É uma loucura.

Em julho diversos professores fizeram alterações nas suas lotações mudando de escolas. Dias antes das férias de meio do ano encerrar, descobrem que as alterações não só não foram autorizadas como perderam a lotação na escola anterior. Resultado? O DESEMPREGO. Centenas de professores sem lotação e milhares de estudantes sem professores e sem perspectiva de ter aula destas matérias. É um absurdo.

ELMANO PRIORIZA A REPRESSÃO À EDUCAÇÃO!

Greve educacao

Se o concurso de 2018 teve apenas 2.500 vagas, o de 2026 terá apenas 2.000 vagas para convocação imediata. Enquanto isso as escolas seguem com milhares de carências para professores temporários, com vínculo de contrato precário, sem direitos e a mercê de gestões antidemocráticas. Em uma breve comparação, a PMCE teve 3 concursos no mesmo período, 2021(2.000 vagas), 2022(1.500 vagas) e 2025 (1.000 vagas) enquanto que por todo esse período a educação estadual foi sustentada por uma seleção confusa e pela Prova Nacional Docente, que até hoje não se sabe quando será utilizada para fins de contratação.

Enquanto o governo Elmano fechou dezenas de turmas entre 2025 e 2026 prejudicando milhares de estudantes que precisaram aumentar seu deslocamento para seguir estudando, em janeiro anunciou a construção de 4 novos presídios com cinco mil vagas para novos presos. É um governo que prioriza a repressão à educação!

Em meio ao período das eleições burguesas, somos uma das únicas correntes sindicais que tem a coragem de seguir defendendo a categoria contra os desmandos de governos, independente da coloração partidária que tenham. A categoria precisa ser reeducada para a independência de classe.

MESMO TRABALHO, MESMO DIREITO:

REVOGA LEI DO SARTO JÁ!

A Reforma da Previdência de Bolsonaro/PL autorizou diversos governos a realizarem suas próprias reformas. Em meio à pandemia o então prefeito de Fortaleza Sarto/PDT, fez a sua reforma retirando diversos direitos dos servidores municipais na ativa, confiscando 14% dos servidores aposentados e retirando direitos dos servidores que viriam a entrar no serviço público, como os anuênios e a Licença-Prêmio. A reforma foi realizada, mas não sem resistência. Por dias centenas de servidores realizaram manifestação na Câmara Municipal enfrentado a Guarda Municipal. Nós da ORC/FOB fomos um dos grupos presentes e com radicalidade enfrentamos a repressão contra a retirada dos direitos!

Os professores que ingressaram na rede municipal após o concurso de 2022 foram os primeiros a perceberem o impacto da ausência de direitos e levantaram em alto e bom som a reivindicação pela “VOLTA DOS DIREITOS, REVOGA A REFORMA DO SARTO!”. No entanto a direção do Sindiute/CUT sempre incorporou esta pauta especifica a outras pautas da categoria nas diversas paralisações realizadas desde a entrada destes colegas.

Por diversas vezes o conjunto da categoria foi convocada à ir as ruas reivindicar pautas especificas de frações da categoria: aposentados, precatórios, entre outros. Reivindicamos essa dinâmica pois exercita a solidariedade na categoria. Mas por que não vamos as ruas pela pauta especifica dos colegas do ultimo concurso? Porque não exercitamos a solidariedade com esta fração como já exercitamos com as assistentes de educação infantil, aposentadas e outras frações? Por uma paralisação/greve com a pauta especifica da volta dos direitos perdidos já!

OUSAR LUTAR, OUSAR VENCER!”

AFASTAMENTO INTEGRAL PARA ESTUDOS JÁ!

A universalização do direito ao afastamento para estudos é recente na rede municipal de ensino. Até essa universalização, havia uma fila onde professores que eram aprovados em cursos de pós-graduação (mestrado/doutorado) somente podiam ser afastados quando algum colega afastado retornasse à sala de aula. Havia assim uma cota máxima para o afastamento. Com muita luta a categoria, organizada no Sindiute, conseguiu a universalização deste direito. No entanto essa universalização veio acompanhada de um limite. O professor de 40h/s só pode se afastar 20h/s. Um absurdo.

Afastado apenas 20h, o professor segue trabalhando um turno completo em sala de aula, sendo cobrado pela sua jornada, planejamento, ações/intervenções pedagógicas, avaliações escolares e avaliações externas. O tempo para a pesquisa acadêmica termina reduzido a menos de 4h diárias, inviável para o volume de estudo que um curso de pós-graduação demanda.

São centenas de professores afastados que sofrem com a dificuldade de realizar sua pesquisa académica, que terá retorno imediato para a rede municipal e para nossas crianças. Essa pesquisa está sendo prejudicada em qualidade pela falta de tempo útil para realiza-la.

Somos um grupo de trabalhadoras/es insatisfeitos com o modelo sindical hegemônico, incluindo o Sindiute. Lutamos por liberdade sindical e pela autonomia da nossa classe. Baixe nossa tese ao VIII Congresso do Sindiute. Venha construir a ORC

Baixe o boletim em PDF. Distribua na sua escola!

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