Pela Paz entre os povos, Justiça e Respeito aos Direitos do Povo Palestino

Pela Paz entre os povos, Justiça e Respeito aos Direitos do Povo Palestino


Por CNT-F (França), traduzido pela Secretaria Internacional da FOB

https://international.cnt-f.org/Pour-la-paix-entre-les-peuples-justice-et-respect-des-droits-du-peuple-palestinien.html

Ninguém pode se alegrar com a guerra e com as mortes que ela produz. Só podemos entender a dor dos parentes das vítimas civis israelenses que estão passando por esse horror.

Nós a entendemos porque, ao lado de nossos companheiros palestinos, lamentamos as 230 vítimas dos colonos ou do exército de ocupação em 2023, os mil mortos e mais de 5.000 palestinos feridos desde este fim de semana.

Entendemos isso porque não estamos nos esquecendo dos 4.900 prisioneiros políticos palestinos, muitos dos quais estão sendo maltratados ou torturados. Mais de 1.000 deles, incluindo 5 crianças, são prisioneiros administrativos, encarcerados sem julgamento e sem esperança de serem libertados.

A vida dos palestinos é marcada pelas tragédias da colonização, da ocupação e de uma política de apartheid.

A destruição de vilarejos em 1948 foi seguida pela destruição constante de casas palestinas, como em Silwan, perto de Jerusalém, e no restante dos territórios ocupados, e pela expulsão de um número cada vez maior de palestinos de suas terras. Os direitos dos refugiados e, em especial, o direito de retorno, reconhecido pela ONU, continuam sendo desrespeitados.

Cada vez mais terras estão sendo colonizadas, diminuindo o território sob autoridade palestina, que é dividido em vários enclaves por muros de separação. As terras agrícolas são requisitadas; participar da colheita é correr o risco de ser linchado pelos colonos. As crianças que estão a caminho da escola são perseguidas e humilhadas. Nos últimos meses, não se passa uma semana sem que um ou mais palestinos sejam mortos pelo exército israelense nos territórios ocupados.

A vida cotidiana do povo palestino é um inferno produzido por um Estado racista, segregacionista e criminoso que desrespeita o direito internacional. Essa realidade é ainda pior para a população de Gaza (um dos territórios mais densamente povoados do mundo, formado principalmente por refugiados de 1948), que está sob um bloqueio há 15 anos. Um símbolo da vida em Gaza: 87% da água de lá não é potável. Enclausurada nessa prisão a céu aberto, a população está tentando sobreviver, sob bombardeios regulares do exército israelense nos últimos anos.

QUE ESPERANÇA HÁ PARA OS PALESTINOS?

A ofensiva militar do Hamas deve ser compreendida nesse contexto e nessa perspectiva. É evidente que não compartilhamos de sua visão de sociedade. Mas isso não deve nos impedir de reconhecer o direito legítimo dos palestinos de se defenderem e resistirem contra a colonização e a ocupação, por sua autodeterminação e sua liberdade.

Todos os governos israelenses são responsáveis por essa situação, com a cumplicidade de potências mundiais como a França. E do lado palestino, a corrupta Autoridade Palestina continua a colaborar com o ocupante.

Neste fim de semana, civis israelenses foram atingidos pelos combates. Em uma sociedade em que todos prestam serviço militar em armas, com missões destinadas a oprimir a população palestina, é difícil esperar que a sociedade civil israelense reconheça a responsabilidade de seus líderes. Esperemos que os Refuzniks e os poucos oponentes israelenses dos assentamentos sejam finalmente ouvidos. Essa é uma das esperanças para a paz.

A resposta militar implacável, que sem dúvida está apenas começando, está recaindo sobre toda a população palestina, como o Estado israelense costuma fazer. Bombardeios incessantes na Faixa de Gaza, centenas de mortos e milhares de feridos, hospitais e equipes médicas atingidos. Incapaz de fugir, a população estará sob um bloqueio total nos próximos dias, sem água, eletricidade ou gás. No restante dos territórios ocupados, a maioria dos movimentos está bloqueada, e as provisões em alguns vilarejos não durarão mais do que uma semana.

Muitos Estados reafirmam seu apoio a Israel, sem questionar a situação colonial, da qual muitos são cúmplices.

Enquanto essa cegueira voluntária diante de tanta injustiça, enquanto essa recusa em reconhecer qualquer direito do povo palestino e, em particular, seu direito à autodeterminação, continuar, enquanto a realidade do povo for negada e distorcida, nenhuma solução justa poderá surgir, porque não podemos confiar em mentiras.

A CNT-F, com seu apoio inabalável às lutas pela descolonização e emancipação, sempre estará ao lado dos fracos contra os poderosos e reafirmará o direito dos povos à autodeterminação.

A solidariedade internacional com o povo palestino contra a colonização e a ocupação deve ser fortalecida ainda mais hoje.

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